A inovação costuma ser associada, de forma quase automática, à tecnologia de ponta, laboratórios e grandes investimentos em pesquisa e desenvolvimento. Os dados mais recentes do IBGE ajudam a sustentar essa imagem: em 2024, 64,4% das empresas industriais brasileiras com mais de 100 empregados introduziram algum tipo de inovação, seja em produtos, seja em processos. Ainda que o índice tenha recuado levemente nos últimos anos, ele permanece elevado e revela um ambiente empresarial que, mesmo sob juros altos e restrições de crédito, segue buscando formas de se reinventar.

Mas a inovação que move a economia real é mais ampla - e, muitas vezes, menos visível. Ela não se limita aos centros industriais nem às grandes corporações. Está presente, também, em setores tradicionais, no pequeno empreendedor e nas soluções criativas que surgem diante de desafios concretos.

A Páscoa deste ano é um exemplo claro. Diante da disparada do preço do cacau no mercado internacional, a indústria do chocolate precisou ajustar produção, portfólio e estratégia. Ao mesmo tempo, confeiteiras artesanais encontraram espaço para crescer apostando em qualidade, personalização e controle do processo produtivo. Do modelo “bean to bar” à criação de novos sabores e formatos, o que se vê é uma cadeia que se adapta rapidamente às mudanças de custo e ao comportamento do consumidor.

No comércio e nos serviços, a inovação também ganha contornos próprios. A revitalização do centro de Londrina por meio de bares com identidade mostra que inovar não é, necessariamente, romper com o passado. Ao contrário: pode ser justamente resgatar referências, criar experiências e dar novo uso a espaços urbanos esquecidos. O estilo retrô, a valorização da convivência e a ocupação das ruas são, nesse caso, respostas contemporâneas a demandas antigas da vida urbana.

Já no campo, os números recordes da agropecuária paranaense reforçam outra dimensão da inovação: a eficiência produtiva. Liderar o abate de frangos no País e avançar em cadeias como suínos, leite e pescado não é resultado apenas de escala, mas de tecnologia aplicada, gestão, sanidade animal e integração entre produtores e indústria. Trata-se de um setor que há décadas investe em conhecimento e hoje colhe os resultados em competitividade.

Esses diferentes exemplos ajudam a compreender que a inovação não é um conceito único, nem restrito a um setor específico. Ela pode estar no laboratório, na cozinha, no balcão de um bar ou na propriedade rural. Pode significar alta tecnologia ou uma mudança simples de processo. Em comum, há a capacidade de adaptação, elemento cada vez mais decisivo em uma economia sujeita a oscilações de custo, mudanças de consumo e transformações globais.

Para estados como o Paraná, essa diversidade é um ativo. A força do agronegócio, a vitalidade do comércio, a criatividade dos pequenos negócios e a presença de um parque industrial relevante formam um ambiente propício para diferentes tipos de inovação.

Todos esses setores estão retratados nas reportagens desta edição da Folha de Londrina. Ao dar voz ao setor produtivo, o jornal reforça a compreensão de que a inovação, em suas diferentes formas, é um dos principais motores do desenvolvimento do Paraná e do Brasil.

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