As vantagens do real fortalecido
A revista inglesa ''The Economist'' afirma que o Brasil vai bem economicamente, e a revista ''Veja'' da última semana pega carona nesse embalo e, em reportagem de nove páginas, exalta o fortalecimento do real frente ao dólar e mostra as vantagens dessa condição. Diz a publicação brasileira que a entrada em massa, no mercado, de produtos cotados em dólar e adquiridos em real forte, tende a segurar a inflação, puxando os preços para baixo. Nos últimos quatro anos a moeda nacional subiu 58% em relação à americana, induzindo a uma mudança para melhor no setor industrial e no padrão de consumo dos brasileiros.
O dólar, que chegou a R$ 4 no auge do receio externo pela posse de Lula no primeiro mandato está hoje pouco acima de R$ 2, prevendo-se que caia mais. Os exportadores ganharam quando o dólar estava nas alturas, mas houve compensações em outros setores da economia nacional, como a aquisição de máquinas novas e modernas pelo segmento industrial, e a preços favoráveis. Com isso a infra-estrutura instalada desse setor e dos serviços vem se renovando e abrindo ampla perspectiva de melhoria e barateamento de produtos, com o acréscimo de expandir a produtividade. Houve aumento do poder de compra no exterior e isto favorece a aquisição de equipamentos de primeira geração.
Hospitais estão comprando novos aparelhos e as fábricas aproveitam o bom momento para reequipar seus parques industriais. ''A julgar pela revolução das contas externas, o Brasil é hoje outro país'' - declara Walter Molano, do banco de investimentos americano BCP Securities. Se antes já aconteceram fortalecimentos cambiais, ''há uma mudança estrutural em curso, que veio para ficar, e o Brasil caminha em sintonia com a economia mundial'', destaca a revista ''Veja''. Apesar da miséria social, do desemprego, da violência, da corrupção governamental, do salário baixo, dos juros estratosféricos e do arrocho tributário, a economia brasileira vem se solidificando. O real está forte e estável e não sobrevalorizado artificialmente.
Desde a adoção do câmbio flexível as vendas externas cresceram rapidamente e o Brasil já tem formidável superávit. O crescimento econômico mundial, liderado pela China, também contribui. Há dez anos a balança comercial brasileira tinha déficit de US$ 6 bilhões, e agora é superavitária em US$ 46 bilhões. O saldo acumulado nos últimos cinco anos é de US$ 162 bilhões, com uma reserva de US$ 110 bilhões. Há, portanto, dólares sobrando na economia. Existem os que afirmam que ''isto é reflexo dos altos juros, que atraem capital especulativo'', mas é certo que os mercados financeiros depositam confiança na estabilidade monetária do Brasil a longo prazo.
O Governo anuncia que estuda medidas para compensar a perda de rentabilidade das empresas exportadoras, e chega a falar em redução dos encargos trabalhistas e dos juros, acreditando-se que possa haver crescimento do consumo sem remarcação de preços e sem aumento de inflação. Se o câmbio é flutuante, obviamente que as coisas podem oscilar, mas até agora trilha-se por chão um pouco mais seguro.





