As três melancólicas opções do PT
A tal ponto chegou a ''reserva de qualidade'' do PT que as opções do partido para a próxima eleição presidencial são um terceiro mandato contínuo de Lula ou as ministras Dilma Roussef e Marta Suplicy. O que o presidente quer, mesmo, é ver a legislação contemplá-lo com a oportunidade de disputar a continuidade do mandato, à moda da Venezuela, mas se isso não for possível sua preferência já manifestada é por uma das suas duas auxiliares - a dama-de-ferro e ex-guerrilheira que comanda a Casa Civil (a ''homem forte'' do Governo) e a deslumbrada ministra do Turismo.
Por trás dessas articulações está ninguém menos que a permanente eminência parda do Governo, o ex-ministro José Diceu, a quem Lula recorre nos momentos de consulta, porque não há ninguém de mais relevância no âmbito do partido. Curiosamente - e cita-se isto en passant - uma propaganda do Governo (a que promete melhoria e conservação das estradas) menciona um PR, ou Partido Republicano, como se fora uma nova marca da administração no poder. Nenhum brasileiro acredita que o presidente não deseje a continuidade no cargo, embora destacadas figuras do Governo tenham declarado que isto não está nas cogitações do Planalto. Isto é apenas uma estratégia para não atropelar a esperada aprovação, pelo Senado, da prorrogação da CPMF.
Se fosse possível, Lula apreciaria ver concretizado o sonho de noite de verão de perpetuar-se no poder, assim como quer na Venezuela seu arquétipo Hugo Chávez. As opções restantes no PT são as duas mulheres. E restrições se faz não porque são mulheres, mas porque são elas... Com toda a certeza o eleitorado consciente não levaria nenhuma das duas ao poder, e nem levaria o presidente Lula ao terceiro mandato consecutivo, mas quem pode reverter o prato da balança é o eleitorado dependente do assistencialismo, e nesse clima de pobreza cívica e de baixo teor de politização tudo é possível.
Por isso Lula preza tanto o seu programa da Bolsa-Família - que, verdade se diga - é benéfico para quem recebe essa ajuda, ademais geradora de boa movimentação financeira nos lugarejos pobres. Por isso o sistema instalado não pode deixar de pensar nos nada desprezíveis R$ 40 bilhões anuais da CPMF.
Os três potenciais candidatos - e que não se despreze essas investidas - se apresentam como uma ameaça à nação. Porque os cidadãos conscientes não querem nenhum dos três. Se o partido não apresentar nomes mais qualificados, se passará a acreditar que aquelas são as únicas reservas que disponibiliza.





