Os brasileiros com mais de 40 anos que se lembram do incêndio do Edifício Joelma, em São Paulo, em 1974 (188 mortos), não imaginavam que no século 21 algo semelhante pudesse ocorrer. Mas aconteceu. E em maiores dimensões. Na madrugada do último domingo, mais de 230 pessoas, a maioria jovens, perderam a vida na Boate Kiss, em Santa Maria (RS), que pegou fogo durante uma festa de universitários.
Nesses dois últimos dias, o assunto tem sido debatido exaustivamente pela mídia e redes sociais. E não pode ser diferente. Temos fama de esquecermos rapidamente nossas tristezas e de não agirmos preventivamente. Infelizmente, isso é verdade. Depois de uma tragédia, as autoridades costumam agir. E nem sempre as providências são eficientes e provocam mudanças reais.
Mas o Brasil precisa mudar essa realidade. A dor e a revolta dos parentes e familiares das vítimas da Boate Kiss devem ser lembradas incansavelmente até que os responsáveis pelas mortes dos jovens de Santa Maria sejam punidos e até que a população tenha certeza de que os locais de grande concentração de pessoas funcionem conforme a legislação.
A tragédia de Santa Maria poderia acontecer com qualquer um. Quem nunca entrou em uma boate, cinema ou teatro despreocupado com a presença ou não de uma porta de emergência? Antes dessa ocorrência, quantas pessoas realmente se preocupavam em orientar os filhos adolescentes a avaliarem a segurança do local da balada? Você já experimentou abrir uma saída de emergência e verificar se ela não estava trancada?
Mesmo que com atraso, o poder público tem a obrigação urgente de avaliar as condições das casas noturnas brasileiras e fechar as portas dos locais inadequados. Cabe aos nossos senadores, deputados e vereadores apresentarem e aprovarem leis que regulamentem o uso de material seguro na decoração e no isolamento acústico. Enquanto isso não acontece, a população deve ser orientada a julgar os locais seguros e a não frequentar casas noturnas em desacordo com as normas. A falta de clientes obrigará empresários gananciosos e irresponsáveis a fecharem suas portas ou mudarem de postura.

mockup