A chuva, que no tempo esperado e em dose certa é uma benção para a agricultura, para a população da zona urbana, principalmente para quem mora na periferia, pode ser significado de morte. É o que se viu no começo do ano em Minas Gerais, quando 57 pessoas perderam a vida em consequência dos temporais que alagaram bairros e provocaram deslizamentos.

Março nem bem começou e as chuvas já fizeram cinco mortos no Rio de Janeiro e 16 na Baixada Santista (até o fechamento desta edição). Ontem à tarde haviam 43 pessoas desaparecidas, após serem soterradas pelos escombros que se acumularam com os desmoronamentos.. Os números da tragédia ocorrida em Guarujá e São Vicente devem ser atualizadas ainda nos próximos dias. Entre as vítimas, dois bombeiros que foram soterrados quando tentavam salvar uma mãe e seu bebê.

Todo começo de ano as tragédias se repetem em diferentes regiões do País. A época de chuvas intensas causa destruição pegando autoridades e moradores despreparados. Não deveria, pois os serviços meteorológicos conseguem alertar com certa antecedência quando há previsão de temporais. Na segunda-feira (2), horas antes da tragédia, a Defesa Civil de São Paulo disparou alerta de tempestade no Estado. Mesmo assim, o alerta não conseguiu evitar a tragédia.

De acordo com a Defesa Civil de São Paulo, apenas no município de Santos choveu 328,8 mm em 72 horas, muito mais que a média esperada para o mês de março inteiro, que é de 253,3 mm. Números impressionantes.

De quem é a culpa? Há quem responsabilize o aquecimento global, a incompetência de autoridades, a ocupação desordenada ou os próprios cidadãos. Não dá para atribuir a culpa a apenas um desses fatores. A responsabilidade é coletiva. Em 2020, s chuva fez mais vítimas no Sudeste do País, mas quantas vezes o temporal deixou mortos e desabrigados no Paraná e nos outros Estados do Sul?

É um problema de todos. Das autoridades que aparecem nesses momentos e dizem que visitaram os locais afetados, que vão socorrer os necessitados e resolver a situação. Mas passadas algumas semanas, tudo é esquecido - pelo menos até a próxima tragédia. A população também tem sua culpa quando resiste em deixar áreas impróprias para moradias e não tem uma cultura de se proteger de problemas climáticos, como acontece no Japão ou Estados Unidos. Essa cultura envolve atender ao alerta das prefeituras, não tentar atravessar ruas alagadas a pé ou de carro e se abrigar durante as tempestades.

A população e as autoridades precisam lembrar que a chuva e outros fenômenos climáticos podem trazer problemas. Mas na maioria das vezes, deslizamento de terra, alagamentos e enchentes têm a mão do homem.

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