As teles se entendem. E o consumidor?
A Telefónica quer o controle da Vivo, a TIM comprou a Intelig e a Embratel vai fundir-se com a Claro, como revelou a agência Folhapress, ontem. A consolidação é a regra do setor. Ou uma questão de sobrevivência como define Eduardo Tude, presidente da consultoria Teleco. As teles farão ofertas de pacotes combinados de telefonia fixa, celular, internet e TV por assinatura.
A consolidação das empresas de um mesmo grupo sob um só ''guarda-chuva'' também trará economias de custo e facilitará o acesso a financiamento com juros baixos. Os analistas afirmam que isso será bom para o consumidor. A junção entre Claro e Embratel, por exemplo, deixará a Claro mais competitiva. Nos pacotes ''quatro em um '', os analistas estimam redução de até 30% sobre o preço separado de cada serviço.
Nos bastidores dessas transações gigantes, rola muito mais coisas, segundo analistas. Por exemplo, ontem mesmo, a Telefónica ameaçou comprar a PT (Portugal Telecom) caso ela não aceite a oferta de 5,7 bilhões de euros pela participação portuguesa na Vivo, líder da telefonia celular no Brasil.
É o que afirmou hoje o vice-presidente financeiro da Telefónica, Santiago Valbuena à Folhapress. A aquisição ocorreria por meio de uma oferta hostil aos acionistas da PT.
Os espanhóis também disseram que poderão ''congelar'' a distribuição de dividendos da Vivo. Na próxima reunião de acionistas, poderão votar para que os lucros sejam reinvestidos na operadora e não distribuídos. PT e Telefónica são sócios na Vivo há nove anos com 30% de participação. O restante das ações está pulverizado no
mercado.
Apesar do alto nível dos executivos envolvidos em grandes negócios, sempre há lances ríspidos nos diálogos da transação. Algo normal, hoje, entre as partes envolvidas nesses negócios de milhões. ''A tentativa de chantagem sobre a distribuição de dividendos da Vivo não nos intimida e é inaceitável'', disse o presidente da PT, Zeinal Bava, que recusou a oferta da Telefónica há 16 dias. Os espanhóis também detêm 10% da própria PT. Após as declarações de Valbuena, Bava, da PT, pediu que ele deixasse o conselho da operadora portuguesa por ''conflito de interesses''. ''Ele descumpriu seus deveres de lealdade com a PT'', disse Bava. ''Ele tem de fazer a coisa certa. E a coisa certa é, com certeza, sair do conselho de administração.'' Já a disputa pela Vivo é um reflexo das mudanças no setor de telecomunicações que caminha para a convergência (traduzida pela oferta de pacotes combinados de telefonia fixa, móvel, internet e TV por assinatura).





