Se o sistema de pedágio implantado no Paraná pelo ex-governador Jaime Lerner tivesse seguido o modelo universal, as atuais rodovias seriam as que iriam servir como alternativas, porque as concessionárias teriam construído estradas novas. Como isto não aconteceu - mas, ao contrário, o Estado doou-lhes as rotas existentes e permitiu a cobrança imediata de pedágio cheio, como se o usuário rodasse sobre rodovias privadas - uma fórmula encontrada pelo governador Roberto Requião foi construir estradas alternativas, sem pedágio. Duas licitações já foram assinadas.
Essas estradas já existem - afora alguns trechos a serem abertos - e serão melhoradas, de forma a dar-lhes mais qualidade e atrair os motoristas. A meta é investir, até o final do mandato, R$ 200 milhões nessa remodelação rodoviária, que se não será uma solução definitiva para afrontar o pedágio corrigirá em parte o cometimento lesa-Paraná perpetrado pelo Governo Lerner. Parte do eixo Norte do Paraná-Curitiba será beneficiado pela já utilizada Estrada do Cerne, que é o mais antigo caminho norte-sul e que conecta Londrina e grande número de cidades circunvizinhas, mais as que estão ao longo do percurso, até desembocar nas proximidades de Castro. A vantagem é diminuir alguma cota de pedágio e evitar a Serra do Cadeado, que retarda o fluxo e é de difícil ultrapassagem, além de perigosa.
Assim irá ocorrer também com as demais estradas alternativas que o governador Requião já denomina de Estradas da Liberdade. Estas são rotas de fuga parcial do pedágio, que, uma vez concluídas e utilizadas plenamente, representarão novas opções, embora em alguns casos possam alongar distâncias. Estas não são ainda soluções libertadoras do pedágio, porque estradas-tronco pedagiadas terão de ser utilizadas, mas ao menos haverá uma melhoria desses caminhos, reforçando a malha rodoviária estadual. É uma medida para aliviar um pouco o bolso do motorista, até que daqui a longos quinze anos - quando expirarem os contratos com as concessionárias - as atuais estradas pedagiadas sejam restituídas aos usuários, a custo zero, ou eventualmente se celebrem a partir daí convênios apenas de manutenção, ao preço de centavos por passagem, como ocorre em outros países.
O governador Requião também se manifesta contrário ao projeto federal de implantar mais estradas pedagiadas, no Paraná, anunciando que se tal ocorrer o DER também entrará na concorrência, naturalmente sem o propósito de cobrar pedágio, já que existem impostos específicos destinados a cobrir a conservação de rodovias. (Há interpretações de que essa habilitação do Estado não tem amparo legal, mas o mesmo ocorreu quando foi implantado o atual pedágio). A posição de Requião contrária a mais pedágio é a mesma do Fórum Popular Contra o Pedágio, liderado por Acir Mezzadri e que visa recolher 1,5 milhão de assinaturas e encaminhá-las ao Congresso Nacional, com o fim de obter que sejam impedidas novas concessões em território paranaense. Este é um movimento que conta com a adesão de sindicatos de transportes dos três Estados sulinos e, naturalmente, da esmagadora maioria dos usuários.

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