As reflexões do papa
Nelson Araújo de Oliveira
Depois de algumas semanas de meditação, em julho, o papa João Paulo II concluiu que não existem locais definidos como inferno ou paraíso. Com esse posicionamento, o sumo sacerdote esclareceu que tais lugares são estado da alma. Ele refletiu bem em relação à inexistência do inferno. Contudo, decepcionou seus seguidores com tal revelação, porque muitos não conheciam o texto da Bíblia afirmando que o Diabo não tem morada certa (Jó, 1:7).
O inferno do qual a Bíblia fala, denominando-o de Segunda Morte, deverá existir no futuro (Apocalipse, 21:8), embora dure pouco. O fogo dele é eterno e consumidor. Sua função é queimar as coisas ruins da Terra, purificando-a. É como se fosse o fogo que queimou as cidades de Sodoma e Gomorra, transformando-as em cinzas, eternizando-as (Judas, 7).
O apóstolo Pedro, com inspiração divina, fala desses acontecimentos com muita propriedade. E, ao iniciar sua primeira carta registrada nas Escrituras, fala também da santidade (I Pedro, 1:15-16). Com experiências de vidas santas, os apóstolos foram contundentes, quanto a esse comportamento. Paulo pediu isso aos primeiros cristãos romanos (Romanos, 12:1). Essa homogeneidade estabelecida entre Deus e o homem só será possível através da santificação (Hebreus, 12:14). É quando o cristão pode sentir o pulsar do Espírito Santo condicionando-o a refletir na terra a imagem e o caráter do Criador.
O homem natural não entende isso, porque nunca foi doutrinado com os princípios da santidade cristã. Seus pensamentos estão voltados para o progresso pessoal, satisfazendo os interesses, muitas vezes, egoístas. E assim, estão contaminados com os valores seculares. O homem comum não está interessado na vida do além e os teólogos e intelectuais pregam heresias, superstições e perversidade (Isaías, 10:1). Porque, se alguém é capaz de negar a existência do paraíso, ele negará também a ressurreição. Onde está o corpo físico de Cristo ressuscitado?
O maior e o mais importante acontecimento da história cristã é a ressurreição, cujo fato não se deu em função do espírito, mas de um corpo físico ressuscitado (Lucas, 24:37-40). Por causa disso, Ele precisa ocupar um lugar no espaço. Negar a existência de uma expansão divina, ainda que além da nossa imaginação, é negar o próprio Deus. É o mesmo que aceitar que esse complexo e deslumbrante universo surgiu por obra do acaso ou, ainda, que o belo e engenhoso corpo humano se originou de um animal irracional saltitante, comedor de bananas, do qual a história não pode registrar nenhuma evolução.
Agora se pode concluir que aquela estória de limbo, purgatório e inferno foi somente engodo e induzimento. Quem lê a Bíblia, e a entende, sabia disso, pois Jesus já havia explicado de modo claro e bem compreensível a seus seguidores que eles, depois de mortos, deveriam permanecer em silêncio em seus próprios sepulcros, até que fossem chamados (João, 5:28).
Já há muito tempo, Deus falava por meio do profeta Ezequiel, dizendo: ‘‘Eu abrirei vossas sepulturas e tirarei delas o povo meu’’ (37:12). Considerando a promessa de Jesus e a do profeta, mais o fato que Mateus registrou em 27:53, conclui-se que esses acontecimentos são provas escriturísticas, consistentes e incontestáveis de que as almas estão mesmo nos sepulcros e não num paraíso como diz o atual sistema religioso. Esses fatos é que agora começam a ser questionados.
A Bíblia afirma que Deus habita no céu dos céus (I Reis, 8:27). Este lugar celestial existe e está acima da imaginação do homem. É justamente onde Jesus ressuscitado fisicamente tomou assento, à direita de Deus (Marcos, 16:19). Negar isso é perder o sentido da vida. Vida que Deus prometeu a todos, através da ressurreição, com um corpo físico (I Corintios, 15:52-55), e não em forma de espírito. Nós acreditamos no paraíso, porque Jesus acreditou (Lucas, 23:43).
- NELSON ARAÚJO DE OLIVEIRA é professor aposentado em Londrina

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