EDITORIAL -

As polêmicas e o Enem


Folha de Londrina
Folha de Londrina

Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) e polêmicas caminham lado a lado desde que a prova que dá acesso às principais universidades brasileiras foi instituída. Ora as polêmicas estão inseridas nos temas das redações ou outras questões interpretativas, ora estão relacionadas a fatores de produção e realização do exame. 


Na gestão de Jair Bolsonaro o Enem não fugiu à regra de gerar polêmica. A questão ideológica foi preocupação do presidente da República desde o primeiro ano de sua administração, principalmente quanto a itens da prova que abordassem uma suposta "ideologia de gênero". 


Há poucos meses, a possibilidade de realização do Enem 2021 somente no ano que vem, devido à falta de tempo e orçamento para que o Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira) realizasse as provas, levantou críticas de educadores e estudantes. O Ministério da Educação voltou atrás e as provas foram agendadas para 21 e 28 de novembro. 


Nesta quarta-feira (9), o  ministro da Educação, pastor Milton Ribeiro, voltou atrás da última polêmica envolvendo o Enem e disse que não irá mais olhar pessoalmente as questões da prova para realizar um filtro ideológico no exame. 


O anúncio de que não olharia mais pessoalmente as questões e que confiaria na avaliação do corpo técnico do Inep foi dada pelo ministro na Câmara dos Deputados, atendendo convocação da Comissão de Educação da casa., para prestar esclarecimentos sobre a intenção de olhar antecipadamente a prova que é aplicada em todo o País. 


Ribeiro disse que "abriu mão" de olhar pessoalmente as questões para terminar com qualquer interpretação que "alguém possa ter de uma censura prévia". 


"Entendo hoje que temos governança estabelecida pelo Inep que será suficiente para que a prova avalie conhecimento dos candidatos evitando que a prova se baseie em uma visão de mundo", afirmou. 


Questões que levantaram queixas do presidente Bolsonaro em edições recentes do exame foram uma que  citava dialeto usado por travestis e outra sobre diferença salarial entre homens e mulheres, a partir do caso dos jogadores Neymar e Marta. 


A decisão de Ribeiro de voltar atrás e deixar a elaboração da prova para o instituto foi acertada. Não cabe, realmente, ao ministro da Educação olhar antecipadamente as questões do Enem, pois isso significaria quebrar a garantia da autonomia técnica que o Inep tem para realizar as provas, até mesmo no que diz respeito  à idoneidade e ao sigilo necessário para o sucesso de um exame que abre portas para o ensino superior e dá acesso às cobiçadas  vagas das mais conceituadas instituições de ensino superior. 


Obrigado por ler a FOLHA!

Como você avalia o conteúdo que acabou ler?

Pouco satisfeito
Satisfeito
Muito satisfeito

Tudo sobre:

Assine e navegue sem anúncios [+]

Últimas notícias

Continue lendo