Por que os pavimentos das rodovias do Brasil não duram? A questão, que a maioria dos motoristas brasileiros costuma fazer ao sair de viagem, virou tema de estudo realizado pela CNT (Confederação Nacional do Transporte). O trabalho, lançado nessa quinta-feira (24), constatou e reforçou uma realidade já bem conhecida. Buracos, ondulações, fissuras e trincas são apenas alguns dos defeitos encontrados pela CNT em mais da metade das rodovias pavimentadas do País. A malha asfáltica, que tem vida útil estimada entre 8 e 12 anos, vem apresentado problemas estruturais muito antes, em alguns casos meses após a conclusão da rodovia. A equipe técnica analisou o estado de conservação dos pavimentos das rodovias brasileiras nos últimos 13 anos. O trabalho levou em conta métodos e normas que regem as obras rodoviárias no Brasil e em outros países; levantou resultados de auditorias realizadas por órgãos de controle; e ouviu a opinião de especialistas dos setores público, privado e da academia. A conclusão do estudo é que o Brasil utiliza metodologias ultrapassadas para o planejamento de obras, apresenta deficiências técnicas na execução, investe pouco e falha no gerenciamento de obras, na fiscalização e na manutenção das pistas. Uma das constatações é impressionante: a tecnologia utilizada por aqui para projetar estradas tem uma defasagem de quase 40 anos em relação a países como Estados Unidos, Japão e Portugal. Em Portugal, por exemplo, as técnicas e os materiais utilizados na construção das rodovias variam de acordo com a zona climática em que a rodovia será construída. No Brasil, um país de proporções continentais, não existe diferenciação. Também deixam a desejar ações de fiscalização quanto à qualidade da obra e peso dos veículos que fazem o transporte de carga. São problemas que provocam aumento no custo do transporte de mercadorias e ajudam a elevar o índice de acidentes de trânsito. É uma ameaça à vida e um grande obstáculo à logística brasileira, elevando consideravelmente o chamado "custo Brasil".

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