O mercado de conteúdo audiovisual brasileiro vem num crescente, tanto no volume de produções quanto na qualidade do material produzido nacionalmente. Só para citar exemplos recentes, o filme “Bacurau” recebeu o prêmio do júri em Cannes; o drama “A Vida Invisível de Eurídice Gusmão” recebeu o prêmio de melhor filme da seção Um Certo Olhar, do Festival de Cannes; a animação "Irmão do Jorel" foi indicada ao Emmy Kids; “A Linha”, projeto em realidade virtual, foi consagrado no Festival de Veneza. Esses e tantos outros exemplos mostram que, além da produção brasileira na TV e nos cinemas, a qualidade, a vanguarda e a contemporaneidade das produções independentes também estão nos principais mercados mundiais com reconhecimento efetivo.

A relevância das produções nacionais coloca o País entre os grandes centros de criatividade e de qualidade audiovisuais do mundo, o que atrai demanda, novos players e investimentos. Recentemente, por exemplo, a Netflix anunciou aportes de R$ 350 milhões, em 2020, na produção de conteúdo original brasileiro. A Amazon Studios já tem uma equipe de produções originais 100% brasileira, assim como outros players.

Há sete anos, esse setor atua sob a regulamentação da Lei 12.485/2011, a chamada Lei da TV Paga, que trouxe incrementos por meio do fomento e também estabeleceu uma quantidade mínima de horas obrigatórias da programação dedicada a conteúdos produzidos no Brasil. Hoje, 20% do conteúdo veiculado em horário nobre é feito por empresas estabelecidas no País, o que já supera em 85% a cota estipulada na lei vigente. E ainda há espaço para crescer, tanto que novos players chegam ao mercado.

Não é à toa que temos atraído investimentos como os da Amazon Studios, Netflix, Disney Plus e outros. Se juntarmos o potencial de consumo de um país de dimensões continentais como o nosso, com uma população de mais de 200 milhões de habitantes, à penetração da telefonia celular – temos hoje 230 milhões de smartphones ativos (dados da FGV) - e a própria tecnologia 5G, em breve as mudanças nesse mercado serão pungentes e se faz necessária uma regulamentação adequada, com regras claras, visando a competitividade do setor.

É nesse cenário que são realizados importantes eventos estaduais, com vistas para o fomento dos negócios e as discussões sobre as políticas públicas que atenderão esse segmento da economia. A Lei 12.485/2011, por exemplo, tem vigência até 2024, ou seja, há um movimento que discute seus benefícios, necessidades de alteração e permanência para depois desse período. Outras discussões que estão em pauta são a regulamentação do VOD - Vídeo On Demand - no Brasil, a proeminência do conteúdo brasileiro nas plataformas, a questão das cotas, entre outras que são necessárias ao crescimento sadio do setor.

Hoje, o eixo Rio-São Paulo ainda tem o maior volume dos investimentos em audiovisual, mas há um numero expressivo de empresas produtoras em outros estados, o que resulta em produções expressivas mundialmente. Sem dúvida, a MAX – Minas Gerais Audiovisual - é hoje uma das maiores iniciativas para o setor. Sua 4ª edição será realizada durante os dias 28 e 29 de novembro, em Belo Horizonte, e reunirá os principais players e investidores do setor, nacionais e internacionais, para estabelecer negócios, compartilhar as novidades e apontar caminhos para a produção audiovisual brasileira. Essa iniciativa, além de outras que são dispostas em diversos estados brasileiros ao longo do ano, são de fundamental importância para ampliar o alcance das discussões que elevarão a competitividade do mercado audiovisual como um todo.

Lucas Soussumi, gerente de projetos da BRAVI (Associação Brasileira de Produtores Independentes de Televisão) e curador da programação da MAX – Minas Gerais Audiovisual 2019

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