Ao invés de medidas de efeito duradouro que protejam efetivamente os cidadãos de qualquer idade, desde crianças a anciãos, no Brasil apela-se primeiro para o assistencialismo, de caráter populista e muitas vezes eleitoreiro. A gratuidade das passagens nos ônibus urbanos e interestaduais para idosos se insere nessa política. Antes da imposição de tal obrigatoriedade que, obviamente, beneficia os pobres e todos os usuários dessa faixa etária mas não é para eles o fundamental , melhor seria adotar políticas de maior proveito, que não sejam esses brindes de relativo valor, ademais lançados na conta das empresas pagadoras de impostos, porque o governo não contribui com nada. Os idosos brasileiros, pela sua história de vida, chegam aos 65 anos e, sobretudo os das classes mais baixas, já vão abandonando até o uso de ônibus e não fazem viagens, significando que a gratuidade não é uma primeira necessidade deles. Idosos pobres necessitam de melhor atendimento de saúde, de alimentação adequada às suas condições, de assistência dentária porque, na maioria, eles são desdentados de conforto de moradia, de melhor assistência financeira, de um emprego (por que não?) e de atendimento afetivo quando falta o da família, porque há os que estão em estado de abandono, pela miséria em que já vivem os próprios familiares. Os demagogos que criam leis como essa das passagens gratuitas deveriam debruçar-se, primeiro, sobre coisas fundamentais, como estas citadas, que uma vez atendidas proporcionariam aos idosos a faculdade de eles próprios adquirirem o que desejam. Óbvio que todos têm direito de viajar e passear, e sabe-se que nos países desenvolvidos são os velhos que sustentam os negócios do turismo, justamente porque eles viajam e têm dinheiro para isso, pela razão simples de que o regime de avançada cidadania em que vivem veio lhes proporcionando essa garantia. Tais idosos são longevos e saudáveis, e isto também poderá existir no Brasil se a demagogia der lugar à responsabilidade, com a visão voltada para as soluções essenciais relacionadas com essa camada social. Num país onde as pessoas idosas carentes já são debilitadas pela pouca saúde o que vem da desnutrição desde a infância e não têm sequer os recursos para a compra do remédio básico, onde o cidadão depois dos 50 anos começa a ser alijado do emprego por causa da idade, soa ridícula essa lei da gratuidade de passagens, porque tal não é nenhuma medida salvadora. Há algo mais sério a tratar, com relação aos idosos, mas isto parece preocupar pouco as autoridades e a própria sociedade.

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