As pandemias do Brasil
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quarta-feira, 24 de junho de 2020
Folha de Londrina 
O Brasil vive hoje a pandemia do coronavírus e crises políticas que também se equiparam a epidemias em duas áreas cruciais: a Saúde e a Educação.
A crise nacional não se restringe ao coronavírus, amplia-se nas medidas do Ministério da Saúde no qual a sucessão de ministros em tempo recorde tem prejudicado as tentativas de reduzir os contágios e as mortes no País, que já somam mais de 50 mil perdas. Como se sabe, toda tragédia tem sua face humana. Avós e netos, pais e filhos formam o contingente numérico ao qual quase nos acostumamos, a não ser quando a perda é bem próxima e levamos um choque de realidade.
Numa decisão inusitada para um momento de pandemia, o Ministério da Saúde hoje conta com um ministro interino, o general Eduardo Pazzuelo, que sucedeu Nelson Teich que, por sua vez, havia sucedido Luiz Henrique Mandetta. A dança das cadeiras passa ainda por situações indefinidas como a recomendação ou não do uso da cloroquina, a falta de respiradores, o aumento de pacientes contaminados tratados em casa ou nos hospitais, o medo que faltem UTIs e a falta de equipamentos básicos para lidar com a doença que assombra o mundo.
Some-se a essa situação preocupante, a desobediência de parte da população que ainda duvida da gravidade do momento se expondo em locais públicos e sujeita à contaminação. Pesquisa criada em Belo Horizonte levou agentes sanitários a colherem os coronavírus que se instalam em bancos de praça, terminais de ônibus e corrimões de escadas rolantes. Dos 800 locais mapeados na capital mineira, 50 apresentaram o vírus na primeira semana de levantamento. Essa é mais uma ação municipal, num momento em que prefeituras e governos estaduais tentam suprir a falta de medidas eficientes que poderiam emanar do Ministério da Saúde que conta com um ministro interino, em meio à tempestade.
O Ministério da Educação é outro que não tem caminhado na merecida relação de importância que deveria ocupar no governo. Abraham Weintraub, último ministro a deixar a pasta na semana passada, encenou uma peripécia ao embarcar para os Estados Unidos com um passaporte diplomático, na condição de ministro, sendo que já tinha deixado o cargo antes da viagem. Sua exoneração decidida na sexta (19), só apareceu no Diário Oficial de sábado (20), quando ele já havia chegado a Miami, suscitando questionamentos já que ele deixou o País no momento em que deve responder a inquérito sobre as fake news instaurado pelo STF (Supremo Tribunal Federal), além de outros processos.
A busca por um novo ministro da Educação está nas manchetes e nomes começam a ser cogitados como o do secretário da Educação do Paraná, Renato Feder, que já se reuniu com o presidente Jair Bolsonaro para uma primeira conversa sem que, no entanto, segundo suas próprias declarações, tenha sido formulado um convite para assumir a pasta.
Resta torcer para que ministérios de máxima importância para a nação cheguem a gestões estáveis, contribuindo para que as demandas da Saúde e da Educação sejam contempladas e acudidas. Com isso, chegaríamos mais perto de controlar não só o coronavírus, mas de livrar áreas importantes de outras pandemias que as colocam num cenário instável quando o Brasil precisa de confiança e segurança.
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