As palavras otimistas do ministro da Agricultura
É do estilo do ministro da Agricultura e Pecuária, Reinhold Stephanes, apontar os pontos fortes e frágeis do agronegócio, e sempre em tom de justificado otimismo. Porque ignorar a infraestrutura atual e as vastas possibilidades do Brasil nesse campo seria conspirar contra a realidade. No momento em que se realiza em Londrina mais uma exposição da Sociedade Rural do Paraná, veio à tona novamente - e o ministro também se referiu a isso - a questão de barreiras ainda a transpor no sistema da sanidade bovina.
O discurso frequente de Stephanes é que o mundo não vai deixar de comer - uma verdade inconteste - e como o Brasil é grande produtor de alimentos, com aumentos progressivos e perspectiva alentadora para o futuro, está em posição confortável quanto à oportunidade de bons negócios. ''Temos disponibilidade de terras, luz natural, água, tecnologia e organização'', salienta o ministro. Por isso o Brasil é ''o único país em condições de cumprir todos os requisitos para aumento da produção''.
No caso da pecuária bovina, a boa genética não é mais propriedade de grandes produtores, como afirma (presente na ExpoLondrina) o presidente da Associação Brasileira de Criadores de Zebu, José Olavo Borges Mendes. O ministro Stephanes, falando à comunidade de pecuaristas, não poupou críticas ao próprio Governo ao dizer que o sistema demora para atender ao setor produtivo e que é necessária mais agilidade governamental (nas questões que têm a ver com os negócios do campo). Fazendo coro com suas palavras, é certo - apesar dos catastrofistas - que o impacto da crise financeira mundial sobre os negócios da agricultura e da pecuária (e não só a bovina) foi menos intenso no Brasil, e se houve queda de preços das commodities ''os estoques terão de ser repostos e aí os preços voltarão a subir''. Pelos números do Ministério os agricultores não reduziram a área de plantio e estão usando a mesma tecnologia. O final da feira de Londrina - que é sempre um bom termômetro sobre os negócios do setor - dará um perfil atualizado do empuxo do agronegócio, aí compreendendo-se também a comercialização de máquinas agrícolas e o entusiasmo dos produtores.
No agronegócio, setores pontuais tiveram problemas e ainda não se vende carne para 43% do mercado que paga mais. E aí voltam à cena as barreiras a remover da sanidade animal, obviamente fundamental para os importadores mais exigentes, que refletem a reação dos consumidores. O mais será atentar para outros pontos que merecem atenção. Um deles a diversificação de produtos à base de carne bovina (já mais avançada com a carne de frango), e obviamente a qualidade com sanidade e inteligentes estratégias mercadológicas. Sem faltar o otimismo, como o do ministro.
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