As palavras do arcebispo Orlando Brandes
A Semana Santa dá ensejo a uma reflexão sobre as palavras do arcebispo de Londrina, Dom Orlando Brandes, ditas ao repórter deste Jornal Eli Araújo, que o entrevistou para ouvir sua mensagem neste período tão importante da cristandade. É um tempo de jejuar, mas o arcebispo diz que o jejum não é ausência de consumo e sim a ajuda ao próximo. E se deixamos de comer carne vermelha e a trocamos por outro prato apetitoso, como o camarão e o bacalhau - ele ensina - isto não está dentro do espírito da penitência; é preciso que o jejum não seja apenas um tradicionalismo ou uma nova forma de consumismo.
Um dos temas da entrevista, como queria o repórter, foi também o consumismo - tão presente na vida contemporânea - e Dom Orlando o condena e propõe um novo modelo econômico. Porque, pela sua visão, o consumismo (entenda-se a compulsão por comprar, convertendo a pessoa em escrava das coisas) transformou-se ''numa divindade'' e faz a cabeça até da criança ''desde o útero materno'' e a induz a ser uma consumidora ''pela vida toda''. Com razão, demonstra que a obsessão pelo consumo é um dos males da sociedade atual e um divisor de classes. Por causa dessa prática compulsiva - declara - nós depredamos a natureza, passamos a ter problemas de obesidade e geramos mais pobrezas. O arcebispo dá enfoque para a doutrina social da Igreja Católica e adverte com sabedoria que Deus criou os bens da Terra para todos e não apenas para alguns. Exemplifica com a água, que ''não deveria ser comercializada'', porque é um bem natural e pertence a todos.
Faz coro com as vozes sensatas e enfatiza que será preciso repensar o latifúndio, a reforma agrária, o direito dos indígenas, dos negros, dos pobres e no geral dos operários. ''Existe a possibilidade de uma economia deferente'', que atenda ao bem comum e não a interesses isolados - ressalta o mentor espiritual e temporal do universo católico. Ao referir-se a essa economia diferenciada, mostra que isto quer dizer pão à mesa para todos, vida para todos e dignidade para todos.
A exaltar a Semana Santa, fala do significado desse acontecimento, que se sublima na magia da Ressurreição, algo original no cristianismo. ''É a grande esperança da humanidade. É a justiça que vai vencer. É o bem que vai vencer. É a vida que vai vencer.''





