Burocracia em licitações, esta é a razão apontada pelo secretário de Saúde do Paraná, Gilberto Martin, para o atraso na construção de novos hospitais e nas obras de melhoria de duas dezenas de outros. Essas edificações e reformas foram promessa de campanha de reeleição do governador Roberto Requião, que programou entregá-las em 2007. Tal não ocorreu, e em boa hora os deputados da Comissão de Saúde da Assembléia Legislativa estão agora fazendo essa cobrança. Não é frequente os parlamentares paranaenses se ocuparem de assuntos de alcance social e que têm relação direta com as necessidades do povo, mas no momento eles se mobilizam, e espera-se que sejam insistentes nessa prioritária necessidade da saúde pública.
Londrina figura na listagem dos 23 hospitais em questão, como os das zonas Norte e Sul e o Pronto-Socorro do Hospital Universitário, que só terão as melhorias concluídas em setembro ou outubro. Em Curitiba, a obra mais aguardada é o Centro Hospitalar de Reabilitação, que se espera comece a funcionar no próximo dia 31, com a segunda fase prevista para maio. Outro caso citado, pela sua importância, é o Hospital Regional do Sudoeste, em Francisco Beltrão, que ainda consumirá 90 dias na burocracia das licitações para compra de equipamentos. O Hospital Regional da Lapa talvez só seja entregue em 2009. Há o caso do Hospital de Quedas do Iguaçu, que não saiu do projeto arquitetônico. Se um dos problemas é a demora nos processos licitatórios, os parlamentares devem intervir nisso e pressionar os setores pertinentes, e no caso das obras nem iniciadas e das que estão atrasadas, a carga deve ser feita diretamente sobre o governador. Que, sabidamente, não é indiferente às questões sociais e às de saúde pública especialmente.
Os hospitais públicos estão abarrotados, no Paraná, com doentes esperando em macas nos corredores, e certos estabelecimentos já nem aceitam determinados pacientes por insuficiências diversas. Essa área, portanto, é de extrema relevância, não permitindo retardo em obras hospitalares. De modo algum os projetos nesse campo podem falhar em suas previsões de implantação de novos hospitais e nas reformas dos existentes, mas, ao contrário, precisam antecipar-se às datas previstas. A disponibilização mais rápida, nessa estrutura, desafogará a demanda, que chega a ser caótica em certos dias e leva doentes e suas famílias ao desespero. A pressão dos deputados precisa ser intensificada, porque a questão do atendimento médico-hospitalar é de absoluta emergência. Outros setores ainda podem esperar mas não o da saúde.

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