Recente estudo publicado pelo Centro Internacional para o Desenvolvimento Integrado de Montanhas aponta que um terço das geleiras do Himalaia pode derreter até o fim do século em razão das mudanças climáticas que afetam todo o planeta. O aquecimento global, como afirmou um integrante da entidade que liderou a pesquisa, está a caminho de transformar os glaciares, a extensa massa de gelo que cobre o pico das montanhas mais altas do mundo.

Parte dessas geleiras alimentam sistemas fluviais como os rios Indo, Ganges, Yangtzé e Mekong na região que passa pelo Afeganistão, Paquistão, Índia, Nepal, China, Butão, Bangladesh e Mianmar. As consequências, ainda segundo o estudo, podem variar de inundações a uma elevação dos níveis de poluição do ar em razão do carbono negro e poeira depositadas nas geleiras. A descoberta, na avaliação de outro estudioso do assunto, é muito alarmante e exige que todos os países afetados priorizem o combate ao problema antes que se torne uma crise.

O estudo, entretanto, não deve ser visto como um novo capítulo dos possíveis danos do aquecimento global. Deve sim ser um alerta de que a situação climática agrava-se rapidamente, pondo em risco o planeta e exigindo ações de todos, desde atitudes simples do cidadão até as mais complexas que mobilizem nações. O prazo que os pesquisadores que assinam o estudo dão para o as geleiras derreterem é muito curto. Mais estudos são necessários, pois o tema é polêmico.

Desde 1972, a partir da Conferência de Estocolmo, na Suécia, países reúnem-se num esforço diplomático para adotar medidas conjuntas visando reduzir essas mudanças climáticas. O mais recente, o Acordo de Paris, de 2015, aprovado pelos 195 países participantes da 21ª Conferência das Partes, que se comprometeram em reduzir emissões de gases de efeito estufa. A meta é a de limitar o aquecimento global a 1,5º até o fim do século. Para isso é preciso reduzir as emissões desses gases, como o dióxido de carbono, a um nível que o planeta consiga absorver.

O problema é que essas mobilizações têm uma dose política que, conforme mudam os líderes dos países, muda a forma de interpretar o compromisso em defesa do meio ambiente. Como é o caso dos Estados Unidos que saiu do acordo por decisão do atual presidente Donald Trump, com a avaliação de que o tratado do clima prejudica a economia norte-americana ao exigir compromissos que afetam a sua geração de energia. Ele até se propunha a retornar ao acordo desde que os termos pudessem ser mais vantajosos para seu país.

Independente da polêmica causada pela saída dos Estados Unidos do acordo, ações imediatas são necessárias. O que está em jogo é a forma como o homem vive e utiliza os recursos que o planeta dispõe.

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