As múltiplas ações diante das drogas
Como as causas primeiras não são combatidas, existe felizmente todo um louvável arsenal de esforços para combater as consequências, que são o uso das drogas e seus maléficos efeitos. As causas primeiras são o cultivo das plantas alucinógenas, o beneficiamento, a adição de produtos químicos e a comercialização. Essas operações, contrariamente do que muitos pensam, não são comandadas por jovens consumidores e pelas chamadas ''formiguinhas'' distribuidoras, mas sim por pessoas adultas de poderosas corporações. Em muitos casos contando com a conivência das autoridades encarregadas da repressão. No caso do Paraná, em menor escala, cita-se o caso de dias atrás, quando dez policiais foram presos, na região de Curitiba, por favorecer traficantes de drogas mediante extorsão, entre outros casos.
As polícias em todo o mundo conhecem os comandantes do gigantesco negócio (desde o fabrico à distribuição) e por extensão as polícias regionais sabem os que estão por trás do sistema. Portanto, não prendem por que não querem, ou por que não reúnem as provas suficientes ou não conseguem lavrar os flagrantes que dariam suporte para o impedimento da libertação pela Justiça.
O que fazer diante das drogas é uma questão levantada em reportagem de ontem deste Jornal, mostrando que operosos segmentos da sociedade buscam recuperar viciados ou evitar que jovens ingressem no vício. Hoje inicia-se em Londrina um ciclo de palestras e reuniões para discutir e alertar sobre o mal do uso de drogas, tabaco e bebida alcoólica pelos adolescentes. Depois que o vício se instala, nesta cruzada pela recuperação todas as medidas são válidas. Repita-se que o grande mal está na origem, que é a produção e a venda em escala, o não policiamento das fronteiras (caso do Brasil) por onde entra sobretudo a cocaína e o desinteresse dos poderes públicos por um ataque unificado de todas as nações visando destruir esta pestilência social. A repressão pelos pais não resolve - defende uma educadora, sugerindo que o que resolve é o diálogo. Este é um dos caminhos, por isso deve ser exaltado todo o trabalho nesse sentido e tudo o mais que se fizer para afastar os adolescentes do vício ou da iniciação às drogas, ao cigarro e ao álcool.
O diálogo entre pais e filhos tem se tornado difícil nestes tempos pela avassaladora torrente de influências do meio externo, por isso devem entrar em ação mais intensa a escola, a igreja, as organizações de voluntários e todos que podem ajudar. Esta é uma das atuais e necessárias batalhas, e não há que esmorecer se os bons resultados não acontecem imediatamente ou mesmo que ocorram os casos de aparente fracasso.
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