As mulheres e o orgasmo
PUBLICAÇÃO
domingo, 09 de fevereiro de 2003
Moacir Costa 
O orgasmo da mulher é um assunto cada vez mais constante nas rodas de amigas, consultas médicas, reportagens. Não é à-toa que o prazer feminino tem sido uma questão amplamente debatida e pesquisada. Certamente, esse é um forte indicador de que afinal a mulher desenvolveu uma preocupação em relação ao seu prazer, assim como o homem que desde há muito tempo, vive preocupado com a sua potência.
A ansiedade feminina aumenta ainda mais quando ela ouve comentários a respeito das chamadas mulheres multiorgásmicas, isto é, mulheres que supostamente conseguiriam ter dois, três, quatro ou mais orgasmos em uma única relação. Resultado: a cada encontro com o parceiro, aumenta a tensão. ''Será que eu vou conseguir aquele prazer que tanto idealizei?'' ''Eu tenho que ser uma boa amante e corresponder a todas as expectativas do meu parceiro?''. Enfim, esse tipo de pensamento passa a ser constante, chegando a se tornar uma obsessão. Na cabeça de muitas mulheres toda amante tem ''gozos intermináveis''.
Ela tem medo de não chegar ao orgasmo, de ser considerada fria, pouco desejável, menos importante. Isso faz com que muitas delas recorram ao recurso do fingimento. Essa é uma atitude altamente constrangedora, que reduz a auto-estima, desvaloriza e desqualifica a própria mulher. Nos consultórios de ginecologistas e psicoterapeutas é grande o número de mulheres que se queixam de não conseguir ter prazer na relação sexual. Nos Congressos de Ginecologia e Sexologia se fala facilmente em 50%.
Algumas conseguem ter prazer na masturbação ou no sexo oral, mas não na relação sexual e a maioria acha que não é a mesma coisa quando o gozo ocorre na relação sexual, que é mais intenso e completo. Isso mostra que essas mulheres são normais, necessitando apenas vencer barreiras que podem ser facilmente identificáveis.
Essas mulheres apresentam na sua história pessoal problemas que podem estar relacionados a uma imagem extremamente fragilizada da figura feminina, especialmente da figura da mãe, ou podem ser consequência de uma educação muito repressiva, em que o sexo sempre foi um tabu, visto como uma coisa suja ou imoral. Não se deve esquecer de que um parceiro inseguro, ansioso é também responsável pelo insucesso sexual dessas mulheres.
Quando isso acontece, é preciso buscar orientação psicológica para identificar melhor as dificuldades e começar a fazer uma revisão desses conceitos. Além disso, é fundamental que a mulher converse com seu companheiro para reavaliar melhor a relação entre eles. E o melhor caminho para ajudar a mulher é evitar uma relação completa, ficando mais tempo nas preliminares, valorizando muito mais o contato afetivo e a estimulação erótica, eliminando a ansiedade e as preocupações com o desempenho. Assim, lentamente, será possível aumentar a autoconfiança e desfrutar do prazer, algo importantíssimo para o equilíbrio emocional na vida a dois.
MOACIR COSTA é médico psicoterapeuta e autor do livro ''Vida a dois''


