As muitas formas de reverenciar a Pátria
Se o 7 de Setembro, celebrado como o Dia da Pátria, rememora um acontecimento que foi importante, na época, para a consolidação da independência política do Brasil na sua relação com a corte portuguesa, o evento do Ipiranga não foi propriamente o grito decisivo da liberdade, porque esta é uma conquista que não se alcança com um simples brado mas se constrói a cada dia. Foi a partir de ideais renovados que a nação veio despertando seus ardores patrióticos e deu saltos de qualidade, alcançando o nível de desenvolvimento em que hoje se encontra. Nessa jornada, apenas uma parte da obra foi executada, porque a independência plena que se almeja ainda precisa vencer muitas etapas, que têm a ver com a libertação econômica de um ainda numeroso contingente de brasileiros. A data de hoje é uma referência, assim como o são os símbolos nacionais e destacadamente o hino e a bandeira, que tanto fazem pulsar o coração dos patrícios em solenidades fora do País, como na recente Olimpíada. O mesmo entusiasmo cívico vivido nesses momentos é o que se deseja que aconteça todos os dias, em qualquer circunstância em que se encontre cada cidadão, no desempenho cotidiano de suas tarefas. As muitas formas de reverenciar a Pátria é cada brasileiro cumprir o seu dever, respeitando e fazendo respeitar a ordem e o direito dos seus concidadãos e lutando por esses ideais. Ser patriota não é, apenas, fazer reverência aos símbolos nacionais mas atentar para os deveres e fazendo valer os direitos, lutando sem temor contra as arbitrariedades, provenham elas do próprio meio social ou dos poderes constituídos. Os grandes avanços de cidadania acontecem quando o povo assume a linha de vanguarda das reivindicações e não se intimida, consciente de que não há poder que, contra ele, possa alevantar-se. Não existe poder mais soberano que o do povo seguro dos seus direitos e politicamente organizado. Há que reverenciar a Pátria todos os dias, e um dos meios é construí-la, a cada idéia, a cada sentimento, a cada passo, e assim torná-la forte e consolidar a sua soberania, pela emancipação política e econômica de sua gente. Nunca é demais repetir a sábia conclamação de que não se deve perguntar o que a Pátria pode oferecer a cada um, mas o que cada um pode oferecer à Pátria. O Brasil bom de se viver que todos almejam não será edificado por mais ninguém senão pelos brasileiros.





