As muitas faces do amor
PUBLICAÇÃO
domingo, 17 de novembro de 2002
Moacir Costa 
Em uma pesquisa feita recentemente na Inglaterra, 90% das pessoas entrevistadas declararam ter-se apaixonado ao menos uma vez na vida por volta dos 18, 20 anos, enquanto 20% disseram que haviam experimentado a paixão até três vezes ao longo da vida. Quando perguntadas se estavam apaixonadas no momento da pesquisa, 61% das mulheres responderam que de fato estavam numa fase de intenso envolvimento afetivo de, contra apenas 43% dos homens. Isso revelou que o sexo feminino talvez tenha realmente uma facilidade maior de se envolver afetivamente, e que homens e mulheres encaram de forma diferente as questões do amor.
Um estudo realizado por psicólogos americanos concluiu que os homens são mais lúdicos, isto é, são pouco práticos e muito mais influenciados pelos atrativos físicos na escolha das parceiras. Fazem sua escolha em função da beleza e da atração sexual.
As mulheres, por sua vez, revelaram-se muito mais racionais, práticas e ponderadas do que os homens. Elas se interessam pelos aspectos essenciais, a ponto de avaliar antecipadamente se o homem seria um bom pai para seu filho, e também se ele daria um bom companheiro, um amigo fiel, um amante responsável.
É importante ressaltar também que o amor à primeira vista existe. Quando é mesmo amor e não um deslumbramento, o sentimento cresce e os parceiros passam a desenvolver a afetividade, o companheirismo, a solidariedade.
Outra grande verdade é que, embora o amor não permaneça inalterado, ele pode durar a vida inteira. Depois de uma fase inicial de euforia, em que o sexo ocupa um lugar prioritário, o verdadeiro amor vai-se desenvolvendo, crescendo e amadurecendo. Mesmo que tenha surgido de uma intensa atração física, ao longo dos anos pode se transformar num amor baseado na amizade e numa vida mais compartilhada, na qual o sexo tem grande importância sim, mas não é a única razão para a manutenção do vínculo. O amor maduro consegue conviver bem até com as flutuações da sexualidade, que alterna períodos de intensa paixão com momentos de menor frequência sexual.
Apesar de tantas oscilações, o amor é um sentimento que vale a pena ser vivido, pois é capaz de transformar intensamente a vida das pessoas, dando forças para seguir em frente e emprestando uma grande beleza à realidade do dia-a-dia.
MOACIR COSTA é médico psicoterapeuta e autor do livro ''Sexo: minutos que valem ouro''


