As mudanças do ser humano - Jerônimo Francisco Neto
PUBLICAÇÃO
sábado, 25 de julho de 1998
Jerônimo Francisco Neto 
O conceito etimológico do termo mudança o define como alteração parcial ou total da cultura, originada dentro da própria cultura ou por influências de fora. Mas qualquer que seja a conotação que tenhamos a respeito, ele sempre estará associado à superveniência de um fato novo, interno ou externo, que altera o paradigma vigente, forçando uma reacomodação das ações.
A mudança é uma constante no mundo em que vivemos, e é vista em toda parte. Edificações são demolidas e substituídas, provocando mudanças na silhueta do horizonte, estradas substituem paisagens, alteração do fluxo do tráfego em regiões densamente povoadas; e no campo político, no campo social.
Mas o que é mudança? É uma questão que há milênios preocupa o ser humano, diz respeito também às instituições e sua capacidade de adaptação, assim como de permanecerem vivas, atrativas e competitivas, enquanto acompanham a dinâmica voraz das mudanças, desafio que somente será vencido com o engajamento de todas as forças atuantes no mesmo propósito.
E, ainda, quando todos compreendem que o novo não elimina o velho, mas apenas o supera, já que um não existiria sem o concurso do outro, pois é pacífico o entendimento de que não há futuro sem passado.
Um escritor afirmou que a única pessoa que gosta de mudança é um bebê molhado. Mas molhado ou seco o ser humano precisa entender e encarar o fato de que a mudança não é apenas um evento, mas também um processo contínuo e sempre presente.
Mas ressalte-se que ao mesmo tempo em que o ser humano procura pela mudança, ele resiste a ela. A história é a descrição da busca do homem por novos conhecimentos, novas experiências, novas maneiras de fazer e entender as coisas.
Um respeitável cientista disse certa vez: O homem deixará de existir se não explorar. Essa força incontrolável para inovar encontra provas na moda, na arquitetura, na música.
A história está repleta de casos de indivíduos que não quiseram acompanhar as novas realidades. Linhas doutrinárias desapareceram, estruturas ou produtos se tornaram absoletos; empreendimentos declinaram e fracassaram por não aceitarem as mudanças.
Thomas Edson, o pai da lâmpada incandescente e de centenas de outros inventos, um dos agentes de mudanças deste século fez esta observação, em 1926, a respeito da possibilidade do cinema falado: O público exige um ambiente de calma e silêncio no cinema e o uso da voz na tela destruirá esta ilusão. Os dispositivos para a reprodução da voz dos atores podem ser aperfeiçoados, mas a idéia não é prática.
E assim o homem faz as mudanças e resiste. Mas a história pende mais para o lado dos que fazem do que para o lado dos que resistem, pois um mundo sem mudanças é um mundo sem esperanças e significados, e rejeitar as mudanças é o mesmo que rejeitar o amanhã.
- JERÔNIMO FRANCISCO NETO é advogado em Londrina


