As mentalizações de Guga
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 11 de junho de 1997
Walmor Maccarini 
Os jornais escreveram que a vitória do tenista catarinense Gustavo Kuerten, o Guga, contou com a ajuda da sorte. Porque, antes de começar o jogo, ele aproximou-se da rede, acarinhou-a com a mão e beijou-a, ao tempo em que fez um pedido a Deus: que todas as suas bolas passassem e as do adversário não. Na partida, foi exatamente o que aconteceu. O que houve não foi sorte, foi mentalização. Guga criou mentalmente tais situações de jogo, e elas se concretizaram.
Pelé também fazia isto. Antes de cada jogo, no vestiário, ele dobrava uma toalha em quatro, colocava-a sobre os olhos e criava em seu plano mental todas as jogadas, e naturalmente os gols. Se não confiava inteiramente nas pernas e na cabeça (a de cabecear) é porque sabia que era preciso algo mais. Zico aprendeu isto com Pelé e passou a fazer o mesmo.
Quando se diz que Deus já sabe o que queremos deve-se entender que Ele capta o que mentalizamos. Se criamos o fato mentalmente (e vale tanto para o bem como para o mal), isto se registra, plasma-se, concretiza-se.
Um jornal escreveu: Guga sempre saiu em busca de artifícios, recursos psicológicos e espirituais ou mesmo de superstições, para ajudá-lo nas vitórias. Em verdade os artifícios estão mais na verbalização do jornalista que escreveu isto, porque tal não é artificialismo, nem superstição, mas atitude mental, tomada com serenidade e convicção no momento exato.
Se acreditamos em algo o Universo nos apóia. Esse poder não julga sobre merecimento de ganhar ou perder, e o que age aí não é um pedido a Deus ou a ausência de pedido, e sim o livre arbítrio do indivíduo. Deus apenas aceita nossa livre decisão. Porque nenhuma divindade faz milagres para nós se não os queremos. Nós é que - através dela ou de nosso próprio poder - propiciamos o milagre, pela nossa fé. E o que é a fé senão a convicção de que aquilo que desejamos se realiza? Não era Jesus que operava os milagres, era a fé dos homens que os permitia, através dEle. Tua fé te curou, Ele dizia. Não era seu toque nos enfermos que os curava, mas o toque (ou a fé) dos enfermos nEle; não era pela Sua energia crística, que tudo pode, mas pela fé emanada daqueles que o solicitavam.
A fé de Guga o fez campeão. Deus não o contemplaria se não fosse dele (Guga) o desejo, assim como não puniu (com a derrota) seu adversário. Ao mentalizar suas bolas passando sobre a rede, Guga estava vigilante. Apenas isto. Estas mentalizações ocorrem às vezes espontaneamente, quase por instinto, bastando o lampejo de um segundo para a plena sintonização. Não há para isto nem medida de tempo e nem de espaço. Um brado de socorro, pleno de fé, nos desvia da tragédia num milésimo de segundo. É vigorosa a energia que emitimos pela mente e pelas palavras.
Não há um instante de nossas vidas que não foi criado pelos nossos pensamentos, palavras e crenças. O medo de perder induz a derrotas, porque nossa mente cria no universo cósmico tais situações.
Crença, otimismo, convicção, sintonizam-se nestas frequências, como também o inverso é verdadeiro. Deus não nos dá algo simplesmente porque lhe pedimos, nem nos nega porque deixamos de Lhe pedir. Um pedido sem a visualização convicta daquilo que queremos não se concretizará, porque essa ausência de imagem significa ausência de fé, será não estarmos acreditando que já temos o que desejamos. Nossa projeção mental cria e faz a coisa manifestar-se. A Providência Divina já nos concedeu tudo, e se lhe pedimos estaremos negando aquilo que por graça Ela já nos concedeu. Basta aceitar. Assim na Terra como no Céu, está escrito, e assim é, pois o que mentalizamos aqui fica pronto lá.
Orar não é pedir, mas é contemplar, é reconhecer. Não se deve dizer eu quero, mas eu tenho; não eu quero ser, mas eu sou, porque na essência já temos, já somos, basta que precipitemos a manifestação. E ela acontecerá, só pela fé e pela contemplação. Quantas pessoas não se queixam que pedem e pedem, a Deus, e nada acontece!? Porque não devem pedir mas simplesmente ir buscar. As mãos de Deus estão sempre estendidas para nós, com todas as dádivas. E é verdade também que se for de nossa vontade Ele nos dá pleno direito de escolhermos o caminho das pedras. Para onde no mais das vezes temos seguido...
Antes de qualquer empreitada temos que nos imaginar fazendo tal coisa, vendo-a concretizar-se, sem vacilações, mas com plena convicção. A vontade tem que ser seguida da convicção. O impossível não existe quando se crê, porque as coisas nos chegam, às vezes, de onde menos esperamos.
O baú do Universo invisível é abundante, é fonte inesgotável de vida, saúde, bem-estar, sabedoria, paz, prosperidade. Nossa provisão financeira inclusive, porque o dinheiro não é incompatível com os desígnios divinos, eis que não há impurificação na riqueza e sim na forma como a amealhamos e a utilizamos. O culto à pobreza é um pecado; o ódio à riqueza dos outros, um pecado ainda maior. Mas o desejo da riqueza para nós e para todos, isto é de Deus. O anseio de acumular riqueza é ganância, é o mal; a busca da riqueza com o propósito de gerar riqueza para o maior número possível de pessoas, isto é o bem.
Em verdade, ganhar ou perder um campeonato mundial de tênis não significa muito se não recebermos isto como uma graça, porque tais conquistas são ainda fenômenos terrenos, no mais das vezes egoistas, mas isto não invalida a certeza de que aquilo que criamos em nosso universo mental se concretiza, se o fizermos com plena convição e nenhum resquício de temor.
Ganhar e compartilhar, esta seria a fórmula ideal.
Os conflitos se originam na mente, assim como as conquistas. Se a mente estiver afinada com as leis divinas, então tanto melhor, que aí conquistaremos todos os troféus e seremos todos vencedores!


