As medalhas ainda por conquistar
Como sempre acontece, terminada mais uma Olimpíada questiona-se porque certos países ganham mais medalhas que outros e porque são sempre os Estados Unidos os grandes recordistas. O fator econômico não é, certamente, a razão única para vitórias e insucessos embora constitua um dos itens porque o desenvolvido Canadá ficou abaixo do Brasil na maratona deste ano, e também não obtiveram grande número de medalhas países do padrão de Suécia, Espanha, Nova Zelândia, Áustria, Suíça, Dinamarca, Holanda, onde problemas sociais praticamente inexistem. A Noruega, nação do melhor nível de vida do mundo, ganhou apenas uma medalha de ouro a mais que o Brasil e, no geral, ficou abaixo. Verdade que os países citados são infinitamente menores em população que o Brasil e participaram com menos atletas. Se China e Rússia ficaram em segundo e terceiro lugares no quadro de medalhas de ouro, sabe-se que não são nações ricas, embora ali o fantasma da fome e das doenças endêmicas praticamente inexista. O vertiginoso crescimento chinês da atualidade também convive com bolsões de pobreza, e a outrora socializada Rússia, onde não havia mazelas sociais e nem inflação, hoje está muito desarticulada face ao ingresso abrupto do capitalismo, tendo perdido muito das suas gloriosas referências, como as de saúde, educação, arte, tecnologia. Cuba é uma nação pobre e de baixa população, com o correspondente número de atletas, e no entanto colheu mais que o dobro das medalhas brasileiras. Nos Estados Unidos os atletas são profissionais e tornam-se especialistas em suas modalidades, diferente da maioria dos atletas brasileiros, que são amadores e disputam mais pela força do ideal e só por isso merecedores de medalhas morais de louvor. A China tem milenar tradição de habilidade em práticas esportivas e artísticas, sabendo-se que os mais fenomenais acrobatas são chineses. O poder e a importância de um povo não se mede necessariamente pelo desempenho nas Olimpíadas, embora os EUA a mais poderosa entre as civilizações do planeta venham mantendo constante hegemonia nessa competição mundial. Fosse verdadeira a suposta crença de que países subdesenvolvidos não podem ser superlativos em algum esporte, o Brasil não teria os maiores futebolistas e não seria penta campeão mundial. O ranking brasileiro na presente Olímpíada não deve envergonhar os patrícios, porque vergonhas existentes em outros campos são mais expressivas, e estas deveriam preocupar muito mais. São as relacionadas com a corrupção dos governantes, com a baixa qualificação profissional e o baixo salário, a baixa escolaridade de grandes contingentes populacionais, o baixo índice de saúde das pessoas e onde a fome crônica e a subnutrição ainda imperam num país abundante em produção de alimentos tudo isso motivado pelo igualmente baixo nível de consciência dos próprios brasileiros e de seus governantes. Se ufana ganhar medalhas olímpicas, há ainda conquistas sociais de mais relevância a alcançar primeiro. Pode-se iniciar um programa de formação de melhores atletas para o futuro, e assim ganhar mais pontos nos grandes campeonatos, mas antes de tudo há que investir na saúde física, educacional e política do povo. O mais virá por acréscimo.





