As más condições dos banheiros públicos
O problema das cidades não é só o da violência, mas de algo aparentemente prosaico e sem grande relevância, os banheiros públicos. Que são poucos, ou inexistentes, ou mal conservados. No Brasil, o poder público não dá muita atenção a esse importante serviço de atendimento aos cidadãos - aqueles que saem de casa no dia-a-dia para as necessidades de rua e os visitantes. Reportagem deste Jornal mostrou o problema de Londrina, que de resto é igual em todo País. Por falta de sanitários públicos limpos e bem aparelhados, as pessoas acabam pedindo socorro às lojas, que têm banheiros para seus funcionários e clientes mas começam a ser solicitados por todos que precisam.
Uma cidade do porte de Londrina, que tem grande número de pessoas circulando permanentemente pelas ruas e praças, porque também recebe muitas que vêm das cidades circunvizinhas, descuida de uma necessidade básica para elas, que é o banheiro público. Os que existem são proibitivos para uso e, pelo baixo padrão de higiene, oferecem inclusive risco à saúde. Muitas coisas estão sucateadas na cidade, como as calçadas, o bosque central, as praças, mas o problema dos banheiros é antigo. Desde que foram inaugurados, há muitos anos, nunca foram reformados. No começo pagava-se para usá-los, depois a prática foi abandonada, mas nunca esses compartimentos tiveram manutenção adequada.
As queixas da população, inclusive manifestadas na seção de cartas deste Jornal, é que grandes lojas e bancos deveriam ter banheiros para a clientela. Eles existem, porém não são liberados, até porque - pela inexistência de banheiros públicos decentes - eles seriam invadidos por todos que necessitassem, clientes ou não. Os bancos não os disponibilizam nem para os clientes - e uma lei municipal deveria exigir esse atendimento. Shoppings e supermercados os possuem, e na maioria bem conservados, mas há casas do gênero (as menores) que os ocultam e dificultam o acesso aos clientes.
Voltando ao tema da reportagem da FOLHA, que se focou em Londrina, também não existem sanitários nos parques públicos das cidade. Em toda a extensão da metrópole, com todas as ruas povoadas de gente, faltam esses equipamentos, tão necessários para as pessoas quanto o oxigênio. Mas nem a Prefeitura e nem a Câmara de Vereadores se preocupam em investir nisto. Já tarda um projeto para dotar Londrina desse serviço comunitário. Se o povo não é muito civilizado quanto ao uso, é também porque as condições das instalações não são estimuladoras para isso. E serviços públicos dessa natureza - assim como os particulares - necessitam de funcionários permanentes de limpeza. Banheiros bem conservados serão um gasto a mais, porém um dinheiro bem aplicado, porque as mordomias no âmbito dos poderes é tanta e tão abusiva que não haveria mal em repartir um pouco com os cidadãos.





