Remete para reflexões sobre inimaginadas capacidades humanas a conquista, na atual Paraolimpíada, de medalhas de ouro pelos atletas brasileiros Clodoaldo Silva, nadador e portador de limitação físico-motora, motivada por paralisia cerebral no nascimento; Antonio Tenório, judoca, que não tem uma das mãos; Antonio Delfino, corredor, sem braço; André Garcia e Ádria dos Santos, também corredores e ambos cegos. Lembre-se também o jovem ator italiano Andreas Rossi, que sofreu igualmente daquela paralisia, ao nascer, e foi destaque no recente Festival de Cinema de Veneza. Esses fatos servem para demonstrar que pessoas que tiveram problemas cerebrais podem converter-se em superatletas olímpicos e destacar-se nas artes e em outras atividades. Posições radicais que a sociedade venha a assumir, envolvendo pessoas com problemas tidos ou não como irrecuperáveis, serão sempre precipitadas enquanto não se esgotarem todos os conhecimentos na área da ciência. É largo o campo de possibilidades do corpo humano, como o atestam estes atletas, enquanto pessoas dotadas de todas as capacidades declaram-se, muitas vezes, inabilitadas para determinadas tarefas. Não é mera coincidência o que ocorre com a maioria dos cidadãos ante situações comunitárias ou nacionais, destas que reclamem sua mais efetiva participação. O comportamento que adotam deriva muitas vezes para a fuga dessa responsabilidade, sob o argumento de que tais coisas não lhes competem, ou que lhes falte a necessária capacidade. O que acontece com pessoas portadoras de necessidades especiais mas que realizam coisas surpreendentes, além do possível imaginado, são amostragens que a vida oferece para a reflexão. Elas mostram que certos limites são freios individuais que as pessoas se impõem, e não uma realidade, e que há um poder que transcende todos os aparentes obstáculos e se manifesta quando situações especiais o obriguem, e quando há vontade convicta e inarredável. São momentos que revelam, no homem, capacidades próprias desconhecidas dele mesmo. Essas pessoas com deficiências motoras, capazes de transpor o que se supunha ser o limite, são pontos de referência para os tantos patrícios desencantados com a situação que vivem e que, por descrer da própria potencialidade, ficam desatentos e deixam escapar preciosas oportunidades que se descortinam.

mockup