As lições de Davos e Porto Alegre
A semana foi movimentada por dois extremos, Davos e Porto Alegre, onde foram realizados fóruns mundiais de economia. Na Suíça, se reuniu a nata dos dirigentes da economia do Planeta, executivos das maiores multinacionais, representantes de instituições como o G-7, o Fundo Monetário Internacional (FMI) e a Organização Mundial do Comércio (OMC),
O Fórum de Davos foi feito para se engenhar a liberalização dos mercados internacionais, o Estado mínimo, as privatizações, a redução de impostos para os ricos e os cortes nos gastos sociais, fazendo uma forte defesa da organização da sociedade em torno do Estado de direito e da liberdade de mercados; eles também consideram que a liberdade individual é o valor humano mais importante a ser respeitado e que sua proteção e ampliação são as fontes de prosperidade econômica.
No Brasil se debateu a antiglobalização, defendida por alguns como sendo a nova globalização, orientada pela democracia, pela ética e pela solidariedade entre os povos, privilegiando a participação popular e implementando políticas públicas de inclusão social com participações de movimentos sociais, empresários, acadêmicos, religiosos, entidades da sociedade civil e ONGs.
O encontro de Porto Alegre desmentiu essa interpretação, eis que se utilizou dos instrumentos gerados pela realidade da globalização, a começar pelos avanços da tecnologia digital e das telecomunicações. Uma das características mais evidente do Fórum de Porto Alegre foi o forte posicionamento contra as políticas neoliberais e o capitalismo.
Nas últimas décadas, o pensamento único neoliberal reinou de forma absoluta e hegemônica, especialmente entre os governantes e os novos donos do poder que comandam o processo de mundialização do capital. As políticas de abertura do mercado, sem regras, de desregulamentação das relações entre capital e trabalho e da liberalização do fluxo de capitais especulativos, nortearam os governos em quase todo o mundo.
Os resultados dessas políticas ficaram muito distantes das promessas. Em todo o Planeta cresceram as desigualdades sociais. As distâncias entre os países ricos e os pobres aumentaram de forma violenta. E o aumento das desigualdades não se resume à relação entre os países pobres e os ricos. Mesmo nos países ditos desenvolvidos, o desemprego, a precarização do trabalho e a concentração de renda vêm crescendo.
Espera-se que importantes abordagens acerca dos rumos de nossas sociedades continuem a ser realizadas e que estes dois Fóruns (de Davos e de Porto Alegre), apesar de diferentes e distintos, possam colaborar, a partir de agora, nas discussões dos problemas sociais, políticos e econômicos do Planeta, sugerindo propostas viáveis que permitam aos países menos desenvolvidos capturarem os ganhos da globalização.
E que prevaleça a força das idéias liberais consistindo efetivamente na valorização do ser humano por meio da ampliação de liberdades e na prosperidade econômica dos países menos desenvolvidos.
- PEDRO BATISTA MARTINAZO é estudante de Economia em Cascavel





