As lições das pesquisas
Quarta-feira, 27 de setembro. Data de divulgação da última pesquisa da Folha sobre a corrida à Prefeitura em Londrina. Naquele momento, a população começava a dar-se conta da indefinição do resultado do 1º turno na segunda cidade do Paraná. A pesquisa publicada mostrava Hauly com 30% das intenções, Barbosa em 2º com 15%, seguido por Cheida com 13%, e com a novidade, encostando no 3º colocado aparecia o candidato do PT, Nedson Micheleti, com 13% (ele tinha 4,4% na primeira pesquisa).
Na mesma edição foram mostrados os números indicadores da rejeição aos candidatos. Nedson continuava com a menor rejeição de todos eles. Os dias se passaram e a Folha não publicou mais nenhuma pesquisa. No domingo, o resultado surpreendente: Nedson e Barbosa no segundo turno com 24% dos votos cada, com pequeníssima vantagem (235 votos) para Nedson.
O que aconteceu? A Pesquisa Folha apresentava um momento da realidade captado pelo depoimento de entrevistados junto aos coletores de pesquisa. Em seis cidades do Paraná, foram feitas 10,8 mil entrevistas aleatoriamente. Todos os elementos para o atual quadro no 2º turno estavam nas pesquisas feitas pela Folha.
O crescimento vertiginoso de Nedson, por exemplo, foi denotado após a pesquisa da Folha ser divulgada. Por que a Folha não detectou a queda de Hauly? Por que a queda de Hauly não seria detectada por nenhuma pesquisa. Comparando-se o levantamento de setembro com o de agosto, percebe-se que apenas Nedson vinha crescendo velozmente e mantinha o menor índice de rejeição, ao contrário dos oponentes Hauly e Barbosa que ainda apresentavam rejeição elevada. Os outros candidatos permaneciam nos mesmos índices de intenção de voto, resguardando-se as margens de erro. E foi isso mesmo o que aconteceu, já que os números de Cheida e Farage permaneceram coerentes com as pesquisas (Barbosa também teve um crescimento comparando-se o pleito com a pesquisa). Com o movimento crescente e veloz, Nedson arrebatou votos de indecisos e de Hauly. No último momento.
Em Foz do Iguaçu, a Folha apresentou sua última pesquisa com levantamento feito oito dias antes do pleito mostrando Spada ainda em primeiro. Porém, analisando-se a relação com a pesquisa anterior no gráfico daquele mesmo dia, Spada apresentou queda acentuada, junto a um grande crescimento de Sâmis. Avaliando o gráfico de rejeição, que dava um crescimento assustador nos índices de Spada (ele tinha 9,7% de rejeição na primeira pesquisa e saltou para 23,9% na segunda), configurou-se o quadro: Sâmis vencedor, com uma virada nos últimos cinco dias de campanha.
Em Maringá, que também mostrava o líder Jairo Gianoto estagnado durante toda a campanha, com índices em torno de 20 a 23,5%, a Pesquisa Folha mostrou forte crescimento de Dr. Batista, do PTB, e uma disparada do candidato do PT, José Cláudio, nos últimos dias. Resultado: os dois que apresentavam significativo gráfico evolutivo na reta final, foram para o segundo turno. Em Curitiba então, é só somar os indecisos da pesquisa aos números de Vanhoni e se terá o resultado do 1º turno.
Para o 2º turno a Folha estará fazendo novos levantamentos em Curitiba, Londrina e Maringá. Assim, é oportuno refletir que pesquisas são e serão sempre levantamentos sobre uma realidade que não temos como influir. Como diria o poeta...o tempo não pára. A pesquisa mostra a tendência de um movimento. Assim como no cinema, onde são necessários vários fotogramas para se compor uma imagem em ação.
O que pode acontecer, e acontece, é a pesquisa eleitoral influenciar decisões futuras. Porém, estas decisões também serão difíceis de captar, pelo princípio da incerteza. Quem garante que, se o eleitor de Hauly soubesse dias antes que seu candidato poderia estar fora do 2º turno, votaria nele, ou debandaria para outro candidato? Pesquisas mostram regularidades, mas não certezas.
Por isso, ao investir em pesquisas, a Folha quer sim, manter o compromisso com seu público de informar, cada vez com mais consistência, com mais e melhores dados e fatos, atenta ao preceito constitucional que garante ao brasileiro o direito à informação, e ciente de que pesquisas são só...pesquisas. Quem ganha eleição é o candidato.
- ALVARO FERREIRA é jornalista e gerente de Marketing da Folha, em Londrina





