As lições da Pastoral da Criança
A história da Pastoral da Criança pelos olhos de um médico pioneiro. O depoimento do capixaba Afonso Murad Filho à Folha de Londrina, na edição do último fim de semana (2 e 3 de setembro), lembra a trajetória da Pastoral na cidade de Florestópolis, na Região Metropolitana de Londrina, desde a constatação das altas taxas de mortalidade infantil até a consolidação do município como berço de uma das ações sociais brasileiras mais importantes. Murad Filho deixou o Rio de Janeiro e chegou a Florestópolis em 1975, onde foi surpreendido pela má qualidade da saúde da população. O índice de óbitos de crianças era alarmante, com 127 mortes para cada mil nascidas vivas, e a desnutrição era um problema generalizado. A solução chegou, em 1980, com um projeto elaborado pela médica pediatra e sanitarista Zilda Arns, que atuava em Curitiba, e que foi abraçado pelas Irmãs Servas da Caridade. Era ainda o projeto piloto da Patoral da Criança, que acabou consolidado em 1983, com a ajuda do Fundo das Nações Unidas para a Infância e da Igreja Católica. A história é bem conhecida não só no Brasil, mas em vários países. Com a participação fundamental de voluntárias e ações simples, porém eficazes, como a pesagem sistemática das crianças, o incentivo ao aleitamento materno, à vacinação, ao pré-natal, o uso do soro caseiro e da multimistura, entre outras iniciativas, o quadro foi se revertendo. A Pastoral da Criança é um dos maiores exemplos de como a união popular pode transformar a realidade. É motivo de orgulho para o Paraná e para o Brasil, idealizado pela médica que morreu de maneira trágica, em 2010, vítima do terremoto do Haiti. A iniciativa está presente em 3.541 municípios brasileiros e também em 10 países. Um legado deixado por Zilda Arns que ultrapassou fronteiras e inspirou ações de mobilização comunitária.





