O presidente Lula tem apregoado em seus discursos que a carga tributária não aumentou - e seus ministros da Fazenda fizeram o mesmo - mas o Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT) mostrou ontem que o peso dos impostos quase dobrou de 2001 para cá. Ou seja, cada brasileiro pagava em média, quatro anos atrás, R$ 1.087 anuais de impostos, e agora paga R$ 1.977 - 82% a mais, que representam 40% descontada a inflação.
Os aumentos ocorreram na CPMF, na Cofins, no PIS, mais a criação do encargo sobre combustíveis (que tem a sigla de CIDE) e a majoração da base de cálculo do Imposto de Renda. Só a contribuição individual do INSS saltou de R$ 388 para R$ 629 em quatro anos no Governo Lula, três vezes mais que a inflação do período.
Os próprio ministro Guido Mantega chegou a confessar que o volume tributário pesou mais (para o contribuinte) na atual administração, e depois tentou dissimular afirmando que vários setores ''foram desonerados'', sem citá-los. Ou Lula não sabia de nada, com relação à alta tributária, ou então falta com a verdade.
E algo que se conhecia e que agora foi ressaltado por aquele instituto é que 81% da arrecadação têm origem no Sul e no Sudeste, destacadamente São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Paraná. Vê-se que o contribuinte paranaense destaca-se em quinto lugar entre os 27 Estados brasileiros, significando que dá expressiva contribuição ao Tesouro da União que, no total nacional, arrecadou no ano passado R$ 364 bilhões, em números redondos.
Atente-se que os Estados do Sul ainda tiveram uma queda no volume recolhido, por causa dos prejuízos do agronegócio em face da aftosa e da seca que diminuiu colheitas, e viu também sua produção industrial decrescer. Esta é uma realidade que os discursos do presidente tentam acobertar com palavras lançadas ao vento e sem embasamento, tanto que agora uma instituição séria como o IBPT revela qual é a verdade.
E se os Estados das regiões Sul e Sudeste arrecadam mais é porque produzem mais, portanto com mais cacife para exigir uma fatia maior na divisão das benesses governamentais. Esse enorme volume de impostos - 37% do Produto Interno Bruto - continua como o principal problema para 70% das grandes indústrias e para 71% das pequenas e médias (só para citar esse setor), conforme sondagem da Confederação Nacional das Indústrias ora divulgada.
A incidência do aumento dos encargos tributários foi sentida, e isto ''reflete a redução da expectativa de crescimento industrial'', como declara o economista Renato da Fonseca, gerente da Unidade de Pesquisa da Confederação. Paralelamente, ocorre uma queda do otimismo do empresariado, segundo a mesma fonte.
Este é o retrato sem retoques da realidade, e não a pregação propagandística do chefe do Governo, que agora como candidato à reeleição parece deslumbrar-se ainda mais com suas próprias palavras. A ponto de dizer que ''as oposições deveriam dar graças a Deus'' por ele despontar na pesquisa eleitoral e acenar para ''a vantagem'' de sua continuidade no poder.

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