O Brasil é um grande hospital, declarou certa ocasião uma autoridade da área da saúde, mas isso não queria dizer que todo o País era um formidável sistema de atendimento e sim que havia doentes demais. O Brasil também figura entre os países cuja população mais sofre de dor física, pela mesma razão acima apontada (os muitos portadores de enfermidades) e porque os atendimentos de sáude, no geral, são deficientes. De um lado, clínicas médicas, hospitais, laboratórios e serviços de radiologia sofisticadíssimos, e de outro enfermarias abarrotadas, que passam por dificuldades financeiras, porque atendidas pelo pouco dinheiro do Serviço Único de Saúde, o SUS, cuja tabela está defasada em até 300% em alguns procedimentos. Esta é a queixa atual dos hospitais filantrópicos de todo o Brasil, que na última quarta-feira paralisaram por um dia certas atividades, e em outros casos os atendentes passaram a ostentar uma fita preta no braço, como sinal de protesto. No caso paranaense são 83 hospitais filantrópicos, dos quais 63 vinculados à Federação das Santas Casas e Hospitais Beneficentes do Paraná, cujo presidente, Charles London, declara que há 9 anos não há reajuste significativo na tabela do SUS e que para cada R$ 100 gastos por esses hospitais apenas R$ 60, em média, são cobertos pelo Sistema. Enquanto isso, demora para ser aprovada na Câmara Federal uma emenda que visa corrigir o problema da insuficiência de verbas. Sabe-se que o Ministério da Saúde admite a defasagem, mas apenas esse reconhecimento nada resolve se os propósitos anunciados se arrastam e não se concretizam. E no Congresso, em Brasília, assiste-se às preocupações apenas com a vida intestina do corpo parlamentar, como as CPIs, as renúncias, as cassações, o jogo dos comandos e o tráfico de influências, enfim o que tem a ver com eles mesmos e seus interesses caseiros. Essa novela se prolonga, não abrindo espaço para o exame das grandes questões que interessam à nação e que deveriam caminhar paralelas. A argumentação da escassez de recursos para a saúde, por via do SUS, não convence nem aos menos informados dos brasileiros, porque é flagrante demais a gastança da farra pública com o dinheiro do povo e a despreocupação com uma eventual contenção dos gastos supérfluos, do desperdício, da má-gestão, dos superfaturamentos de serviços e obras e a corrupção no geral. A grande mentira das esferas oficiais é a de que não há dinheiro porque a arrecadação tributária aumenta, em forma de novas sangrias, e não há correspondência no retorno, em forma de benefícios à população.

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