As insanas e perversas tarifas de Trump
O Brasil deve, no entanto, pensar e repensar com calma a aplicação da reciprocidade. Não temos o “poder de fogo econômico” dos EUA!
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terça-feira, 21 de julho de 2026
O Brasil deve, no entanto, pensar e repensar com calma a aplicação da reciprocidade. Não temos o “poder de fogo econômico” dos EUA!
Padre Manuel Joaquim R. dos Santos 
As tarifas que Trump acrescentou aos produtos brasileiros são perversas e fruto de mentiras que veem caracterizando o presidente americano. Ainda estes dias, em discurso à nação recheado de teorias de conspiração, ele afirmou mais do que uma vez ter sido roubado nas eleições de 2020. Ora, ele era o presidente e único responsável pelas ditas interferências chinesas também denunciadas e, é claro, pela lisura do processo eleitoral. Ao mesmo tempo, as mesmas eleições que não lhe deram a vitória, elegeram centenas de parlamentares republicanos! Trump é um engodo! Uma mentira que não se sustenta na segunda palavra! Ele é, afinal, um mitômano! O mundo está percebendo isso a duras penas e a um custo geopolítico altíssimo! A sobrecarga de taxas ao nosso país é uma questão essencialmente política! Ninguém tem dúvidas! Os empresários americanos estão tão apreensivos quanto os congêneres tupiniquins. Serão muito prejudicados!
O Brasil deve, no entanto, pensar e repensar com calma a aplicação da reciprocidade. Não temos o “poder de fogo econômico” dos EUA! Nem em termos assimétricos o devemos fazer! O que se apresenta hoje como melhor caminho é a busca e a consolidação de mercados alternativos. Já o estamos fazendo há anos e devemos intensificar essa alternativa. O Mercado Comum Europeu, conquistado com muito esforço pelo Mercosul, merece da nossa parte uma atenção especial e representa uma parcela substancial das nossas exportações; só em dois meses do acordo EU-Mercosul nós exportamos cerca de 2 bilhões de dólares a mais para a Europa! Temos ainda o Médio Oriente e a Ásia.
A China configura-se não somente como a grande alternativa, mas a melhor parceira em termos econômicos. Para lá vai cerca de um terço de todo o agro brasileiro, incluindo os 70% de toda a nossa soja. Vejo como descabida toda a apreensão da direita (nomeadamente a ligada ao agro) sobre os riscos que a China representa! Riscos de quê? Calote? Influência ideológica? Síndrome dos “ovos em cesta única”? Quanto a este último, concordo que a diversificação de mercados se imponha como obrigatoriedade a um país que busca segurança para suas exportações. A China é um capitalismo de Estado que abomina conflitos e guerras desnecessárias e descobriu há milênios que as rotas comerciais são, não só necessárias, mas imprescindíveis para a convivência entre os povos. Nem precisaria referir no artigo, que o senhor Trump (EUA desde sempre), tem um modus operandi muito diverso, promovendo inúmeras guerras e mantendo um aparato militar constante pelo mundo afora.
Estarão os nossos exportadores preocupados com o dito “trabalho escravo chinês”?! Não o negamos! Mas não podemos afirmá-lo, em contraposição à lisura de nosso mundo laboral interno, onde constantemente surgem denúncias similares! A desigualdade entre classes no Brasil, expondo a precariedade do trabalho e a resistência ao fim da escala 6/1 vinda exatamente dos que “desconfiam” da China tem o odor de incoerência! A classe média chinesa, hoje de 400 milhões, dobrará na próxima década. É muito chinês ávido por produtos brasileiros!
O que vem da China não é o comunismo! Não existe nenhum comunismo, no sentido conceitual do termo, nesse país asiático! O que vem de lá são produtos diversificados que inundam as nossas cidades. Vi isso na periferia de Toronto, no Calçadão em Londrina ou até na minha pequena terrinha! Desde chaveirinho até helicóptero, passando pelos carros elétricos! Se isso nos incomoda, é só aplicar controle e leis reguladoras! A China é agressiva economicamente; mas quem hoje pode sobreviver, se o não for? Entendo, portanto, que com as dificuldades vindas dos EUA motivadas por exclusivas razões políticas, ao invés de sacrificarmos a nossa soberania, como alguns desejam, devem gerar em nós uma genuína garra comercial de competitividade e busca desenfreada de alternativas, incluindo de modo especial o aumento do já robusto comércio com a China. Medo da China não passa de uma subserviência indisfarçável as EUA.
Padre Manuel Joaquim R. dos Santos, Arquidiocese de Londrina


