O país vem passando por mudanças que atingem a sociedade como um todo. Como consequência vivemos um período de crise em todos os setores produtivos, levando à diminuição dos custos e melhoria na qualidade dos serviços diante da necessidade urgente de modernização. O produtor rural desanima com os altíssimos custos de produção, enquanto os produtos produzidos por ele não atingem preços necessários à satisfação de suas necessidades mais básicas. Por outro lado, é fácil encontrar empresas que não resistem à crise e fecham suas portas. A consequência natural desta realidade é a falência tanto no campo quanto na cidade e o inevitável desemprego que assola como nunca a sociedade brasileira.
O empresário está lutando para reverter este quadro. Luta para diminuir os custos, melhorar a qualidade e conseguir pagar a imensidão de impostos que o cercam de forma implacável. E o governo não se apresenta como parceiro, mas sim como um algoz que lhe suga todas as forças e os parcos rendimentos na ânsia tributária. Como se não bastasse estas lutas, o empresário ainda encontra um outro fantasma, apto a lhe tirar o pouco que resta para a manutenção da atividade: a Justiça do Trabalho. É certo que na atual situação o empregador não tem condições de remunerar condignamente o trabalhador tendo em vista que não há, hoje em dia, qualquer atividade produtiva remunerada condizentemente. Tanto empregadores quanto empregados trabalham hoje apenas para sobreviver, seja no campo, comércio, indústria ou no setor de prestação de serviços.
Há nos dias de hoje, em realidade, uma parceria entre empregados e empregadores, onde um necessita do outro para a sobrevivência, pois extinto o setor produtivo, obviamente o empregado não terá como sustentar a si e a seus familiares. Com isso é comum os acordos entre sindicatos de empregados e empregadores, que embora pareçam desfavoráveis ao empregado, lhe garantem o emprego. Infelizmente a Justiça do Trabalho que antes era tida como órgão destinado à solução de litígios, passa a ser uma alternativa ao empregado para a obtenção de uma fonte de renda extra. E o judiciário trabalhista, mesmo tendo conhecimento do fato, silencia mantendo-se na cômoda situação de decidir acerca das lides, protegendo o empregado e o colocando como a parte fraca, acima da realidade que assola o país e as relações de trabalho.
Encontramos Colegiados alheios à atual realidade social e indiferentes à luta que muitas empresas vêm travando para sobreviver. O fato é que existe uma necessidade vital de alteração da atual legislação trabalhista consolidada em 1940, há 57 anos atrás, para que esta se amolde às novas tendências e realidades sociais. Enquanto isso, muitas empresas já fecharam ou estão em fase de liquidação devido aos enormes e impagáveis passivos trabalhistas, constituídos muitas vezes em atitude de completa má-fé dos trabalhadores reclamentes, que se valem de falsos testemunhos para alcançar seus objetivos.
A atual legislação trabalhista e a tendência protecionista da Justiça do Trabalho têm levado diversos setores produtivos à mecanização. Milhares de postos de trabalho estão sendo extintos e substituídos por máquinas, por não ter consequência trabalhista. O resultado é a mecanização acentuada em diversos setores, reduzindo sensivelmente a oferta de emprego. Logo nos resta a dúvida sobre o que vai ser feito da massa de trabalhadores desempregados e, se há justiça, onde está o benefício que esta visa atingir.
Hoje, sob a intenção de se fazer justiça, condena-se empresas à falência sem se importar se o atingido é uma grande empresa ou um pequeno produtor rural. Obviamente o que existe é uma inversão de valores muito grande, onde não há preocupação com os resultados das decisões. Não se vê o emprego com a importância social que ele realmente tem, mas apenas como um gerador de direitos. Portanto, tanto na legislação quanto na aplicação da lei, é urgente a necessidade de mudanças com empregado e empregador se equipando na luta pela sobrevivência. Há que ser respeitado o emprego, enquanto este existe e o empregador, o desvinculando do rótulo de explorador da força de trabalho e o reconhecendo como um gerador de emprego e do sustento de várias famílias. Não se deve esquecer que depois da morte é inútil buscar soluções... estas devem vir agora evitando o fim das atividades produtivas.

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