As impropriedades verbais do Presidente
Falar errado, como às vezes ocorre com o ex-metalúrgico que teve pouca escolaridade e é agora o presidente da República, não é o pior dos males, porque é assim que a grande maioria fala, mas não se aceita que este homem, chefe supremo da nação brasileira, diga impropriedades como fez agora ao culpar os cidadãos pela alta dos juros. Foi mais um momento em que Lula melhor faria se nada houvesse dito. Mas ele o fez, e disse que o consumidor precisa deixar ''o comodismo'', suprir ''a falta de consciência'' e ''levantar o traseiro'' na busca de crédito mais barato. Só não informou onde buscar esse crédito se nos Estados Unidos ou outro país desenvolvido, onde o juro básico é de 3%. Ao ano. Ou será que, saindo à procura, se encontrará em território brasileiro algum banco operando no mesmo patamar do juro norte-americano? Se existem alguns créditos baixos, certo é que no geral os juros no Brasil são assassinos. Diante das inusitadas fórmulas ditadas por quem tem a chave para a redução dos juros e não o faz, os brasileiros se prostram estupefatos ao ouvir tão estarrecedoras palavras, partindo de onde partem. Era o próprio Lula quem, como sindicalista e tri-candidato à Presidência, até alcançar o poder, esbravejava em seus discursos contra os ''juros obscenos''. Hoje, no Brasil, é até difícil não ter de entrar em banco significando ter conta porque os salários são pagos através dessa via, assim como uma infinidade de contas. E, ademais (e este é outro sinistro capítulo), quem abre um portal em banco (a conta) está sujeito a uma enxurrada de coisas que entram por ele as famigeradas taxas ''de serviços''. Interessante que o próprio Presidente não ''levanta o traseiro'' as expressões são dele para ver o quanto a nação paga de juros pelo serviço da dívida interna e só em 2004 custou R$ 150 bilhões. Sim, é a nação que paga essa conta e não o Governo. Este apenas a cria e a robustece. Porque cada cidadão paga caro pelo dinheiro que ousa buscar em bancos e financeiras, para uso pessoal ou da empresa sem opções de escolha por dinheiro mais barato e ainda tem de pagar o juro dos débitos do Governo. Que não gera dinheiro e não parece preocupado nem com o volume da dívida e nem com os custos dela. Os brasileiros sentem-se inseguros quando ouvem impropriedades como essas porque é aos homens do Governo que incumbe a administração dessa grave questão dos juros e fazê-los baixar e muito pior quando a insegurança se cristaliza e o povo passa a debochar da figura do seu Presidente, pelo que ele diz. Se o presidente Lula está realmente acreditando no que diz e no que recomenda como fórmula, então a situação é mais séria do que se supunha. Na irresponsabilidade das palavras repousa o mal ainda maior, que é a crença nas coisas proferidas por parte de quem as profere.





