As glórias
do trabalhismo
brasileiro
Edgar Bueno
Dois importantes eventos que comoveram os brasileiros neste século, pelo gesto de bravura cívica e amor à Pátria de seus protagonistas, passaram a fazer parte do calendário de memórias do PDT. Na verdade, os dias 24 e 26 de agosto ficaram cravados na própria história brasileira como marcos de incomparável comoção nacional, que em determinados períodos sacudiu o Brasil pela normalidade democrática.
Em 24 de agosto de 1954, desferindo um tiro no próprio peito, o presidente Getúlio Vargas pôs para correr os golpistas que vinham montando tocaia desde que foram apeados do poder, pela Revolução de 1930. O assalto ao poder, que efetivamente se consolidou em março de 1964, contra o presidente João Goulart, também foi tentado em outras oportunidades e mais acentuadamente em 1961, quando encontrou o escudo intransponível da Campanha da Legalidade, comandada por Leonel Brizola como governador do Rio Grande do Sul, que se sagrou vitoriosa no dia 26 de agosto daquele ano com a confirmação da posse de Jango.
Ao assinar a Carta-Testamento, em 24 de agosto de 1954, Getúlio denunciou as forças internacionais e os grandes grupos que pretendiam dominar o País: ‘‘... A campanha subterrânea dos grupos internacionais aliou-se à dos grupos nacionais revoltados contra o regime de garantia do trabalho. A lei de lucros extraordinários foi detida no Congresso. Contra a justiça da revisão do salário mínimo se desencadearam os ódios. Quis criar liberdade nacional na potencialização das nossas riquezas através da Petrobrás e, mal começa esta a funcionar, a onda de agitação se avoluma. A Eletrobrás foi obstaculada até o desespero. Não querem que o trabalhador seja livre...’
Quando se lançou na resistência contra o golpe à Constituição Federal, na madrugada de 25 de agosto de 1961, pondo em risco a própria vida, Leonel Brizola firmou semelhante exemplo de patriotismo: ‘‘Não pretendemos nos submeter. Que nos esmaguem! Que nos destruam! Que nos chacinem, neste palácio! Chacinado estará o Brasil com a imposição de uma ditadura contra a vontade de seu povo’’.
Há 45 anos, Getúlio Vargas despedia-se abortando um golpe que se armava contra os interesses nacionais: ‘‘Se as aves de rapina querem o sangue de alguém, querem continuar sugando o povo brasileiro, eu ofereço em holocausto a minha vida’’.
E há 38 anos, sete anos depois da morte do grande estadista brasileiro Getúlio Vargas, Leonel Brizola clamava: ‘‘O povo gaúcho tem imorredouras tradições de amor à Pátria comum e de defesa dos direitos humanos. E seu governo, instituído pelo voto popular, não desmentirá essas tradições e saberá cumprir o seu dever’’.
Getúlio morreu deixando as mais belas lições, que Brizola praticou em toda a sua longa trajetória política, tendo resistido aos 20 anos de autoritarismo. E continua aí, atormentando a vida dos adversários do trabalhismo, entre os quais se destaca hoje o atual presidente da República, Fernando Henrique Cardoso, obcecado com sua maior meta de governo: pôr fim à Era Vargas.
Mas a verdade haverá de vencer, como sempre!
- EDGAR BUENO é membro do diretório nacional do PDT, deputado estadual e líder do partido na Assembléia Legislativa do Paraná
(http://www.pdt-pr.org.br/).

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