As farras na mídia e nos gastos
Duas informações que atestam o grau de determinação do governo quando o assunto são as eleições e o esforço para manter-se no poder. Em primeiro lugar, a indiferença da candidata Dilma Rousseff com relação às leis eleitorais. Ela é multada pela 5ª vez por propaganda antecipada. Tantas multas, sem resultar em nada, pode deixar a Justiça Eleitoral numa situação absolutamente constrangedora. E a Justiça tem sido generosa para com o PT.
O outro ponto nada lisongeiro são os gastos. A pouco mais de dois meses das eleições, o governo federal decidiu abrir os cofres e liberar R$ 2,54 bilhões do orçamento para gastos dos ministérios, como mostram os repórteres Edna Simão e Fabio Graner. Boa parte dessa fatura será bancada pela redução de R$ 1,66 bilhão dos repasses previstos para Estados e municípios. Com repasses menores, sobra mais dinheiro para o governo federal colocar em suas obras.
Essa liberação vai na direção contrária do que foi feito há dois meses, quando o governo teria cortado R$ 7,6 bilhões das despesas previstas, justificando com a necessidade de conter a demanda interna e minorar a alta de juros pelo Comitê de Política Monetária do Banco Central (BC). Desta vez, nem iminente reunião do Copom, que deve subir os juros hoje, causou constrangimento no governo.
Além de diminuir os repasses para Estados e municípios, a folga adicional é explicada pela redução da previsão do déficit da Previdência Social para o ano. A estimativa de saldo negativo caiu R$ 1,59 bilhão, passando de R$ 47,29 bilhões para R$ 45,69 bilhões, mesmo com a concessão de um aumento de 7,72% dos benefícios previdenciários acima do salário mínimo.
Sobre o descumprimento da lei eleitoral, o ministro Henrique Neves, do TSE também multou o PT-SP em R$ 7.500 por utilizar o espaço do programa do partido na TV, nos dias 11, 14, 16 e 18 de junho, para fazer propaganda para a então pré-candidata. A representação foi feita pelo Ministério Público Eleitoral. Segundo Neves, a inserção ''ultrapassou os limites da propaganda partidária, que se limita a tratar de temas de interesse político comunitário, na medida em que buscou demonstrar ser a segunda representada (Dilma Rousseff) a mais apta para o exercício do cargo, bem como sugerir ações que pretende desenvolver''.





