Se os anos são apenas medidas de tempo e não têm entre si grandes diferenças, as pessoas tendem, no mais dos casos, a dar um adeus melancólico ao ano que finda e saudar com esperanças renovadas o que chega. Os anos bons são classificados segundo a natureza das pessoas e os seus interesses. Há os que apenas buscam saúde e entendem que, em tal condição, tudo o mais se resolve. Há os que buscam riqueza patrimonial. Tantos outros desejam o bem-estar próprio e dos familiares. Outros mais buscam a expansão dos conhecimentos profissionais e outros tantos procuram expandir sua evolução espiritual. Muitos enxergam as coisas de maneira global e desejam a paz no mundo. E existem os que aspiram melhorar a si mesmos para, assim, contribuir para a melhora do mundo.
  O resultado de um ano bom tem, portanto, múltiplas facetas, por isso em meio a turbulências encontra-se pessoas felizes, e em ambiente de paz depara-se com os inconformados e insatisfeitos. O Brasil de 2006, sob o aspecto do gerenciamento governamental, foi marcado pelos escândalos da corrupção e que se arrastavam desde o ano anterior. E surpreendeu pela reeleição do presidente Lula, em meio a tanta insatisfação das classes produtoras e dos profissionais mais esclarecidos, mas foi um ano que deve ter sido bom sob a ótica dos milhões de miseráveis que se contentaram com as migalhas do assistencialismo governamental, capturador de votos. O desemprego continuou no mesmo patamar e as misérias sociais foram sustentadas pela ajuda da bolsa que contemplou as famílias, embora elas não tenham emergido dessa condição.
  Muitos avanços de desenvolvimento aconteceram, em todos os campos, mas por mérito da iniciativa privada, já habituada a ter de cruzar lanças com os entraves governamentais. Tanto que, por processo natural, incorporou o Governo no rol dos problemas em vez de te-lo como um fator de solução. O ano de 2006 foi de muita revolta popular contra as três esferas do Poder, marcadamente o Executivo e o Legislativo (nos planos federal, estadual e municipal), por desmando e corrupção, gastança descomunal e baixa operosidade; e contra também o Judiciário, pela revelação dos altos ganhos e a relativa densidade de trabalho em meio a montanhas de processos por resolver e que (também) por isso se acumulam e mais e mais se avolumam.
  A devastação do meio-ambiente continuou, especialmente na Amazônia; e no mundo a poluição atmosférica intensificou-se, tanto que o aquecimento global já está derretendo geleiras, aumentou o volume dos mares e já fez submergir uma ilha. É o começo marcante de uma tragédia prevista para o decorrer da geração que hoje vai chegando ao mundo. Nos Estados Unidos, nação comandante do planeta, a vitória parlamentar dos democratas foi um aspecto bom do ano que finda. Por via desse acontecimento político poderá ocorrer uma diminuição da corrida intervencionista americana e menos guerras e atentados terroristas, acreditando-se também numa retomada da conscientização sobre a poluição gerada por essa grande comunidade industrial.

mockup