O que falta para que exista uma maior integração de deficientes na sociedade?
Falta as pessoas compreenderem a deficiência. No Brasil quem tem deficiência vive isolado, num gueto. Como as pessoas não convivem com o deficiente, não sabem como lidar com isso. É uma questão cultural. Há também uma barreira da cidade. O ambiente urbano é pouco preparado para receber quem tem necessidades diferentes. Mas acho que isso é algo que está se transformando na sociedade brasileira. O Brasil ratificou o tratado da ONU (Organização das Nações Unidas) que visa garantir direitos iguais aos deficientes. Acho que isso vai mudar um pouco as coisas.
No mercado de trabalho, o que impede que os deficientes tenham mais espaço?
O Brasil tem a lei das cotas, que exige a contratação de deficientes em empresas com mais de cem funcionários. Mas elas ainda resistem muito em cumprir essa determinação. O Ministério Público do Trabalho tem se empenhado em fazer com que essa barreira seja superada. Uma das dificuldades é que a escolaridade média do deficiente é muito baixa. Mas, por outro lado, quando o deficiente tem ensino superior, a empresa não confia. Quando o MPT negocia o cumprimento da cota, tenta fazer com que a empresa ofereça vagas em todos os níveis. Isso já acontece em muitas empresas.
Como procurador do Trabalho atuei em muitos acordos com empresas que hoje contratam deficientes em todas as áreas. Mas muitas empresas alegam que não contratam deficientes porque eles não são qualificados. É por isso que no MPT entendíamos que são as empresas que precisam qualificar. A cota existe para que a empresa cumpra sua função social. O deficiente não é qualificado porque não consegue entrar no mercado. Então a iniciativa privada tem que suprir essa necessidade.

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