A pouco mais de uma ano das eleições para prefeitos e vereadores, um assunto volta à cena devido a um projeto de lei que tramita no Congresso e trata do aumento do fundo eleitoral e partidário. Isso significa que, do bolso do contribuinte, pode sair ainda mais dinheiro para financiar o próximo pleito. E não se surpreenda, caro leitor, se as eleições de 2020 forem as mais caras de toda a história.

É mais um fator a destoar entre os desejos da população e a atuação da classe política brasileira.

Apesar das recentes reformas eleitorais terem buscado baratear o custo das campanhas, a questão não parece resolvida. Tanto que os valores para os fundos eleitoral e partidário de 2020 serão definidos no segundo semestre deste ano, na votação da Lei de Diretrizes Orçamentárias e, depois, na do orçamento para o ano que vem. O relator, deputado Cacá Leão, propôs aumentar o fundo eleitoral de R$ 1,7 bilhão de 2018 para R$ 3,7 bilhões em 2020.

O tema promete esquentar o debate em Brasília nos próximos meses. Mesmo entre os parlamentares, há muita divergência.

Quem defende o aumento de verba para o fundo eleitoral reclama da dificuldade de financiamento nas últimas eleições municipais. Até 2014, o financiamento dos candidatos era bancado, em sua maioria, por grandes empresas, como empreiteiras e bancos.

No ano seguinte, o Supremo Tribunal Federal proibiu que empresas financiem as campanhas sob o argumento de que a prática viola os princípios democráticos da igualdade de forças na disputa, representando captura do processo político pelo poder econômico. Está aí a Lava Jato mostrando as consequências dessa prática.

O tema pede uma reflexão séria. O problema é que os partidos políticos precisam adotar procedimentos transparentes e ações de compliance na hora de usar e prestar conta dos gastos.

Além disso, há alguns pontos que precisam ser levados em consideração. Pede-se mais dinheiro para o próximo pleito, mas a eleição do presidente Jair Bolsonaro mostrou que as novas ferramentas utilizadas pelos políticos (redes sociais) vêm barateando as campanhas. Além disso, as eleições municipais acabam tendo custo mais baixo, pois a base territorial a ser contemplada por um candidato é menor do que nas estaduais e nacionais.

A dissonância entre o cidadão e a classe política está justamente aí: com a economia ainda estagnada e o desemprego em alta, os partidos estão com apetite feroz e querem mais dinheiro.

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