As drogas e um denuncismo necessário
Denunciar é necessário. Claro que é preciso evitar o risco dessa atitude derivar para equívocos e injustiças, porque neste caso vira denuncismo pernicioso. Em Toledo, a Câmara de Vereadores acaba de aprovar (em 1ªdiscussão) projeto que institui o pagamento de uma recompensa em dinheiro para quem denunciar traficantes de drogas. Em Cascavel isto já vigora desde março, com o pagamento de R$ 200 por denúncia que resultar em prisão dos denunciados. Toledo propõe pagar R$ 400.
Tem-se falado que o núcleo do problema das drogas está nas grandes corporações que as produzem e administram a distribuição, destacadamente da cocaína, extraída da folha da coca, e (em outros países) do ópio, produzido a partir de várias espécies de papoulas. Por isso só uma grande cruzada de alcance mundial, com a união de todas as nações, seria capaz de conter ou diminuir a intensidade desse negócio, que envolve fortunas e gente poderosa.
Mas paralelamente é preciso ir levantando diques para conter a disseminação do vício principalmente entre os mais expostos, que são os jovens, e tirar desse descaminho os já viciados. Bloquear o mais possível a ação dos traficantes figura entre as medidas. Por isso, considerando a gravidade do mal, o denuncismo tem de ser implantado, e se é preciso pagar recompensa por isso (embora combater as drogas é dever de todos), que se pague. É um caso em que o fim justifica os meios. As pessoas temem denunciar, por causa de eventual represália, mas o sistema agora proposto mantém sigilo sobre o informante. Certamente que muitos contribuem sem nada cobrar, mas de qualquer modo essa campanha é válida. Hoje um grande número de voluntários está engajado na causa, servindo de múltiplas formas. É um trabalho que envolve policiais, médicos e outros atendentes de saúde, assistentes sociais, psicólogos e outras pessoas ligadas a centros de recuperação, igrejas e instituições diversas.
Eliminando-se o mais possível o problema nas extremidades, onde se situa o consumidor final, o macronegócio também se enfraquecerá em sua estrutura. Se é mais difícil conter essa praga social pela raíz, aniquilando os que estão à testa de gigantescas corporações, deve-se continuar a luta onde for possível e onde o problema se situa mais próximo caso dos traficantes e dos que cairam na malha do vício.





