As dificuldades do futebol do interior
Londrina, como segunda mais importante cidade do Estado, poderia ser, em todos os campeonatos paranaenses de futebol, no mínimo vice-campeã, se houvesse lógica na equivalência das dimensões. Mas neste ano não conseguiu sequer continuar na Primeira Divisão. Porque - dependente de seus próprios resultados e com insuficiência de gols e pontos - acabou refém de um esperado mau desempenho de outros times. Em 53 anos de existência o Londrina Esporte Clube só foi campeão do Paraná três vezes.
Sem apontar culpados, o Londrina cai para a Divisão de Acesso, mas não é exceção - no Paraná e no Brasil - em seus insucessos, porque é comum o futebol do interior não ganhar campeonato. Ressalvam-se os históricos casos de conquistas isoladas, que acontecem tão raramente quanto a passagem de um cometa. No Paraná, a terceira mais importante cidade - Maringá - nem está disputando o campeonato de 2009. Não ter um bom time não desmerece nenhuma cidade, mas é certo que os torcedores padecem.
Quarta-feira, embora ganhando a partida, o Londrina desceu porque desperdiçara oportunidades em jogos anteriores, e os pontos que não ganhou vieram a fazer falta no desfecho. É também uma realidade histórica que não aproveita as disputas com os times de menor expressão, e é aí que começa a perder fôlego. Para os torcedores mais fanáticos - e um time com mais de meio século de existência tem muitos - o corrente ano e o ano que vem estão perdidos - porque não aceitam a ideia do rebaixamento - e só lhes resta esperar 2011. Mas se palavras consolam, é oportuno remeter para a realidade brasileira, em que despontam apenas os times das quatro grandes capitais - Rio, São Paulo, Porto Alegre e Belo Horizonte - e, na grande maioria dos casos, são eles que chegam às decisões finais. Não por acaso têm torcedores em todo o Brasil, que contribuem para manter viva a chama do futebol nacional. Tal acontece porque bons jogadores - a maior parte deles revelados em times menores - correm para os grandes centros em busca de mais projeção e de melhor ganho. E se aparece a oportunidade, voam para fora do País. Não por acaso a maior parte dos atuais integrantes da Seleção é de ''estrangeiros'', como se costuma dizer.
Agremiações fortes atraem patrocinadores e têm outros favorecimentos, pela própria condição, mesmo com os clubes endividados. O esforço hercúleo de times do interior não ocorre apenas dentro do campo, no confronto com os melhores, mas também na disputa por posição debaixo dos holofotes e diante das câmaras da televisão. Destacar-se nesse universo é tarefa para super-heróis.





