Homens e mulheres têm muitas diferenças. Divergem nas atitudes, na maneira de pensar e agir e principalmente no comportamento sexual. Algumas mulheres contam que o companheiro chega em casa depois de um dia estafante de trabalho e consegue resumir a sua jornada em duas ou três frases. Elas, por sua vez, sentem necessidade de uma conversa mais elaborada, detalhada. É por isso que respondem com uma verdadeira dissertação àquela simples pergunta: ''Como foi o seu dia?''
As mulheres adoram interagir, conversar, trocar. São características femininas, que aparecem logo na infância. Os homens, ao contrário, são de poucas palavras e não conseguem compreender o gosto feminino pela conversa afiada. Isso, às vezes, gera desentendimento entre o casal, especialmente quando a mulher cobra uma postura mais participativa. Outra queixa comum das mulheres é a falta de carinho e a desatenção com detalhes importantes, como a data de aniversário do casamento ou o dia dos namorados. Para elas, é fácil guardar a data do primeiro beijo, da primeira transa, do primeiro filme visto juntos. Elas valorizam muito os aspectos afetivos da relação, porque apresentam uma memória afetiva surpreendente.
De sua parte, os homens reclamam que as mulheres não se interessam muito por sexo. Dizem que não são desejados como deveriam ser e que elas raramente tomam a iniciativa. Numa avaliação realizada nestes últimos três anos, constatei em 245 homens que mais da metade deles (58%) não se sentem sexualmente desejados. Cerca de 80% deles se sentem valorizados como pais, cidadãos e profissionais, mas não como amantes.
Muitas mulheres sentem desejo, mas não procuram os seus parceiros. Às vezes, elas precisam de um estímulo para dar o primeiro passo. Essa atitude é bem mais fácil quando se tem 20, 25 anos. Já a mulher de 40 ou 50 anos dificilmente toma a iniciativa. Ela é receptiva aos estímulos eróticos e multiorgásmica, mas não tem coragem de expressar diretamente que está interessada em um homem ou quer ter um encontro íntimo.
Diante de tantos conflitos, a única certeza possível é que as diferenças entre os dois sexos devem ser respeitadas. Tanto o homem quanto a mulher precisam entender que cada um tem a sua maneira de ver o mundo, expressar seus sentimentos e de se relacionar. Assim, as diferenças deixam de ser um fator de atrito e distanciamento e tornam-se um aditivo para uma relação com mais sintonia e prazer.
MOACIR COSTA é médico psicoterapeuta e autor do livro ''Vida a dois'' (Ed. Gente).

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