As despesas de custeio e os investimentos
Diminuir despesas de custeio não é o mesmo que cortar investimentos. Reduzir substancialmente aquelas despesas é uma necessidade do poder público, em momentos de crise financeira e em qualquer tempo, já o investimento em obras e serviços é imprescindível. Em seu discurso na abertura dos trabalhos da Assembleia Legislativa, ao afirmar que cortar gastos é saída preguiçosa, o governador Roberto Requião certamente desejou dizer que programas de obras não podem ser suspensos.
Ao ato estava presente o prefeito Beto Richa, que ao assumir seu segundo mandato declarou que reduziria despesas do custo administrativo em R$ 100 milhões no ano, embora não deixando de dizer que também diminuiria obras se ocorrer a escassez de recursos. Requião, sem descartar seus projetos de investimento, foi enfático ao afirmar que cortar gastos, a pretexto de amenizar a crise, é saída pouco criativa.
Esse detalhe de sua fala foi entendido por muitos dos presentes como uma intenção de cutucar o prefeito, mas o direcionamento central de suas palavras pode ter sido principalmente no sentido de criticar as administrações que anunciam aleatoriamente o corte de obras. Há verdade quando ele afirma que certos estados e prefeituras aproveitam a oportunidade da crise para suspender obras que não iriam mesmo realizar. Se há gasto abusivo na manutenção da própria estrutura burocrática, não deve mesmo sobrar dinheiro para fazer nada de relevante. São as tais despesas de custeio excedendo os limites que resultam em insuficiência de meios para obras e melhoria dos atendimentos básicos. Custo exagerado de manutenção dos sistemas governamentais consomem verbas fora da conta e assim elas escasseiam para setores fundamentais. Este tem sido o ponto crucial das administrações públicas no Brasil. Prefeituras sem obras nada mais revelam senão gastos sem controle, quando se sabe que é possível cortar no empreguismo, nos salários altos e em outros encargos.
Cortar despesas de custeio onde possível não é apenas uma medida de sábia administração mas um respeito ao contribuinte, esfolado pela sangria tributária para sustentar a onerosa máquina pública, prenhe de vícios e de falcatruas de toda a ordem.





