As críticas às administrações anteriores
Basta que haja troca de comandos nas prefeituras para que comecem a ser apontadas falhas das administrações anteriores, com críticas por obras não realizadas, por algumas inacabadas, por promessas não cumpridas, por certas posições estratégicas assumidas e inclusive por desmandos. No caso de Londrina, a Sercomtel Celular era considerada uma empresa sem recuperação financeira, e agora o presidente da empresa-mãe (a Sercomtel), Mario Jorge Tavares, afirma em entrevista a este Jornal não concordar com a venda da telelefonia móvel.
''Somos pequenos mas somos bons'', ele disse, sobre a empresa em questão. A uma pergunta da reportagem sobre se o prefeito que acaba de deixar o cargo sabia desse atributo, ele declara que sim. Na ocasião, poucos contestavam a ideia da venda, até por desconhecer detalhes da saúde financeira denunciada. Pessoas mais bem informadas preferiram não se manifestar, ou seguir a corrente da administração municipal.
Essa omissão ocorreu também quando da venda de 45% das ações da Sercomtel para a Copel. Um negócio de R$ 186 milhões, à vista. Desse montante, 70% diluiram-se e ninguém sabe dizer com certeza onde tanto dinheiro foi parar. Este é um episódio não explicado que os anos vão sepultando. Citando-se de passagem, situação idêntica aconteceu quando o governador Jaime Lerner anunciou o propósito de ''privatizar'' rodovias, porque notadamente os deputados não se manifestaram contra a insensatez que ia ser cometida. Não quanto à implantação do pedágio mas quanto ao modelo, que não era privatização mas na verdade a entrega das estradas às concessionárias, que mesmo nada de relevante realizando, a não ser conservação (o que até agora persiste), começaram logo a cobrar, e a preços cheios. Este Jornal alertou, na época, sobre transtornos que viriam, mas a empolgação pela denominada ''privatização'' - cercada também por muita desinformação - era tamanha que nenhuma voz em contrário prevaleceria.
A nova administração municipal de Londrina, no poder em caráter provisório, já anuncia que contratos de terceirização da administração anterior serão revistos, porque existem problemas. A recente aprovação do aumento da tarifa dos ônibus urbanos, que aconteceu nos últimos dias da administração que findava, também está sendo questionada. Estas anotações são mostradas para atestar que no decorrer das gestões públicas segmentos da sociedade - forças vivas que poderiam opinar e reverter situções - cercam-se de excessivo zelo e não se manifestam. Mas depois, revelações - verdadeiras ou não - acabam surgindo.





