As crianças com medos adultos
As crianças assistem muita televisão, conectam a internet e ficam sabendo precocemente de situações violentas que acontecem no mundo inteiro. Palavras da psicóloga australiana Janet Hall, durante palestra em Londrina, justificando ''medos adultos'' que os pequenos passaram a sentir, com o de sequestro, assalto e guerra. Estas cenas violentas, elas vêem na televisão, que explora à exaustão esse tipo de noticiário e faz das grandes tragédias o espetáculo. Não bastassem as imagens da violência real, proliferam os filmes e desenhos animados, na maioria produzidos fora do País, e que deveriam ser proibidos inclusive para os adultos. Mas a rotulagem tem o endereço das crianças. Inconcebível que isso aconteça. E os pais adquirem esses vídeos e deixam que seus filhos pequenos se locupletem deles e fiquem horas diante da tela, porque enquanto estão ali, não incomodam... São esses mesmos pais que reclamam ações contra a violência que toma conta das cidades, mas permitem livremente a difusão dela diante dos filhos, por meio dessa vasta produção que invade os lares e, naturalmente, seduz as crianças. Nunca se produziu tanta violência virtual como nos tempos que hoje vivemos, e tal se transformou em nefasta droga eletrônica. Se os males estão nas ruas, a ficção é tão ou mais volumosa que a realidade. O lixo que esse gigantesco negócio produz e dispõe é alarmante, e por conta de um excessivo zelo ante exóticos temores de censura, a libertinagem corre solta. Não há fiscalização sobre a programação das televisões, destacamente os canais abertos, e entre coisas boas tudo o que há de pior elas mostram. Os programas especiais que exploram, como tema central, a violência, adicionam requintes que o sistema de imagem/cor/movimento propiciam e montam verdadeiros shows de desgraças humanas, alcançando altos índices de audiência. Isto significando que há clientela, mas se houver uma forma de vigilância e restrição sobre a programação dos veículos de mídia eletrônica (que são os mais presentes e influentes) essa mesma clientela certamente não faria cobranças e aceitaria de bom grado coisas melhores e mais edificantes. A psicóloga australiana recomenda aos pais que passem aos filhos a idéia de que os medos que sentem é normal, mas o ideal seria a recomendação para medidas de controle sobre essa invasiva licenciosidade. Não há risco de a censura expandir-se, como temem os arautos das liberdades sem fronteiras. O perigo maior reside na libertinagem já instalada, muito mais nociva que regulamentações e proibições. Melhor que os pais ensinarem os filhos a conviver com os medos é a censura eliminar, pela raiz, pelo menos uma parte das causas.





