As contradições sobre combustíveis
Quase todos os fabricantes de veículos presentes no Salão Internacional do Automóvel, que se realiza em Frankfurt, apresentam em seus estandes carros movidos a eletricidade. Três gigantes como a Volkswagen, a Audi e a Opel vão chegar com toda a voltagem nos mercados no ano que vem e nos dois anos seguintes. Este é um caminho sem volta e está definindo o futuro da indústria automotiva, o que significa uma tomada de consciência em defesa do meio ambiente, aliada a conveniências comerciais e estratégicas.
Como nunca aconteceu antes nessa intensidade, o foco do Salão é a preservação ambiental, hoje uma preocupação de todo o mundo e que já não encontra opositores declarados. São 753 expositores, de 30 países, e o consenso é um apenas quanto à questão ambiental: é preciso mudar procedimentos. Ambientalismo já não é só discurso, mas ganha defensores consistentes, como agora os fabricantes de veículos. Parece que, finalmente, vai se plasmando a consciência de que se pode ganhar dinheiro e preservar o planeta.
Paralelamente verifica-se algumas contradições, caso do Brasil, que depois da euforia pelo deslanche da produção de energias limpas volta-se para a extração de mais petróleo, por via do pré-sal. O pesado investimento que a indústria automobilística mundial faz no rumo dos carros elétricos pode resultar em menos veículos bebedores de gasolina e diesel, e no futuro também grandes máquinas estacionárias deverão mudar sua matriz energética e abandonar o óleo. A tendência é todos os trens serem movidos a energia elétrica, como já são os trens bala - e logo o Brasil os terá. Ainda não se chegou à plenitude do uso da nova fonte, por isso a exploração de petróleo terá continuidade, mas o aceno é que essa energia será um dia descartada, como a carroça que deu lugar ao veículo automotor. Não fosse apenas o advento do carro elétrico, também os produtores de álcool estão reagindo à euforia do Governo Lula pelo pré-sal. Eles temem que o etanol possa ser atropelado.
Até tempos recentes Lula só falava dos biocombustíveis, e agora sua obsessão é pela extração de óleo das profundezas oceânicas, sediadas em vasta faixa das regiões de Espírito Santo, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná e Santa Catarina. No momento Estados Unidos, União Europeia e Japão estão estabelecendo metas redutoras do consumo de combustível fóssil, e a indústria automobilística investe nos veículos elétricos. É, portanto, incerta a sobrevivência futura da petróleo.
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