Como resultado de um mal surgem outros, demonstrando continuamente como os governos tratam com descaso a questão da saúde dos carentes no Brasil. O que ora ocorre no hospital-escola do curso de Medicina da Universidade Estadual de Londrina – o Hospital Universitário, mais conhecido como HU – é mais uma amostragem dessa situação caótica que atinge sobretudo a população mais pobre. Porque quem pode, paga hospital particular ou vale-se dos planos de saúde.
Agora as unidades de terapia intensiva do HU foram interditadas, também impondo-se restrições nos atendimentos do pronto-socorro, por causa do risco de contaminação de pacientes internados pela bactéria kebisiella. A consequência é febre constante, com o agravo de que essa bactéria é facilmente transmissível e resistente. Pelo menos oito pacientes estão contaminados no HU. A suposta origem é um paciente acidentado que veio transferido de Goiás e que era portador da colonização da bactéria.
Por essa via outros pacientes foram contagiados. A médica coordenadora da Comissão de Controle de Infecção Hospitalar, Cláudia Carrilho, culpa a superlotação, que é quase permanente no hospital. As interdições foram consideradas necessárias, para conter o avanço do mal, e a desinfecção do ambiente é um processo demorado. Pacientes que chegam de todos os pontos do Paraná e também de outros estados – como o caso presente – apenas realçam a realidade conhecida: que o HU (que atende gratuitamente) converteu-se (de hospital de aprendizado) em ponto de amenização de sofrimento dos muitos enfermos. Os atendentes – médicos, enfermeiros e demais pessoal de apoio – se desdobram, mas com tantos casos por atender e com estrutura instalada insuficiente, o calvário do HU se mantém. Sem dúvida o atendimento de saúde pública de Londrina pode agravar-se com a interdição das unidades citadas. Agora é o problema da kebisiella e em ocasiões anteriores foram outros, com o retrato de sempre: pacientes sobre macas nos corredores, aguardando vaga.
O Brasil é um grande hospital, no sentido de que há um numeroso contingente de doentes. As razões são a pobreza, a deficiência de saneamento básico, a subnutrição e o pouco investimento na prevenção de moléstias. Um paradoxo é que este país possui médicos e cirurgiões da melhor qualidade, grande número de escolas de medicina e muito dinheiro público esbanjado na farra governamental, sem atenção para os sofrimentos da população, especialmente quanto à saúde.

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