Nas últimas semanas, o Brasil assistiu a três tragédias em que a chamada cultura da irresponsabilidade teve grande contribuição para que elas acontecessem. A primeira em Brumadinho e a duas últimas no Rio de Janeiro. No caso do rompimento da barragem da Vale, no dia 25 de janeiro, que resultou na morte de mais de 150 pessoas e quase 200 desaparecidos, todos os dias chegam denúncias de protocolos de segurança não obedecidos e fiscalização deficiente.

No Rio de Janeiro, entre a noite de quarta-feira (6) e a madrugada de quinta-feira (7), um temporal com ventos de 110 Km/h provocou a queda de centenas de árvores e também postes de luz. Seis pessoas morreram, e o governador do Rio, Wilson Witzel, culpou a falta de fiscalização na ocupação desordenada nas encostas e morros. Segundo ele, a cidade tem 80 mil famílias vivendo em áreas de risco.

E nesta sexta-feira (8), um incêndio no alojamento improvisado do Ninho do Urubu, como é conhecido o Centro de Treinamento do Flamengo, matou 10 atletas com idade entre 14 e 17 anos. Todos da categoria de base do time carioca. Novamente, as investigações iniciais apontam para mais uma tragédia em que o desrespeito a leis e processos interrompeu sonhos e destruiu famílias. Segundo o município, a área do Ninho do Urubu onde estavam os alojamentos dos adolescentes não tinha autorização da prefeitura para funcionar como dormitório.

A legislação brasileira para liberação de obras e construções é rígida. Mas o acompanhamento das autoridades e a fiscalização não andam no mesmo ritmo. Os órgãos públicos se queixam da falta de pessoal e estrutura. E assim a vida vai passando, com o País sendo sacudido por tragédias que inicialmente causam grande comoção e depois são pouco lembradas.

Existe uma cultura da não fiscalização que atinge empresas, órgãos públicos e o cidadão comum. Aquele indivíduo que para economizar alguns trocados chama o prestador de serviço com pouca qualificação ou usa as famosas gambiarras para resolver um problema qualquer.

É preciso fiscalizar, cobrar e punir. Mas o problema não se resolverá sem uma mudança cultural em todos os níveis.

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