As cobaias e o mercado da beleza
No próximo dia 20, o Conselho Nacional de Controle de Experimentação Animal (Concea) vai avaliar o pedido feito pela Organização Não-Governamental (ONG) Humane Society Internacional para proibir, no Brasil, a realização de testes de cosméticos em animais. A solicitação da entidade americana foi feita em setembro de 2013 e por aqui encontra apoio de organizações, intelectuais, lideranças, artistas e modelos.
A campanha da Humane Society Internacional chegou também a outros países onde o assunto está sendo discutido, como a China, a Nova Zelândia e os Estados Unidos. A União Europeia já proibiu os testes e as vendas de cosméticos testados em animais, enquanto os procedimentos científicos não são mais permitidos na Índia e em Israel. No Brasil, o Estado de São Paulo foi o primeiro a vetar esse tipo de experiência e a lei vale desde janeiro de 2014.
A Humane Society e outras grandes organizações ambientais, como a norte-americana Peta e a brasileira PEA, justificam que há métodos alternativos para boa parte dessas experiências, como por exemplo o uso de pele humana e pele sintética e a combinação de células humanas com modelos computacionais.
É preciso ressaltar que os animais não são usados apenas na indústria da beleza e os cientistas argumentam que sem essas cobaias os avanços da medicina ficariam prejudicados. Segundo pesquisadores, o desenvolvimento de vacinas e medicamentos foram possíveis, em grande parte, por causa dos testes em animais.
O Concea está diante de uma decisão bastante polêmica. A tendência internacional é que os testes se tornem proibidos para o setor de cosmética e continuem liberados para a área da medicina. As maiores empresas fabricantes de cosméticos no Brasil não realizam testes em animais, conforme mostra o site da PEA, que pode ser consultado por toda a população. Esta aí uma prova de que não é preciso o sacrifício das cobaias para produzir perfumes, cremes e maquiagem de boa qualidade.





