Os governos sempre acertam quando investem na pesquisa agrícola. Todo o esforço e dinheiro aplicados nisso será um bom investimento, com retorno assegurado. A boa notícia destes dias é que o Plano de Aceleração do Crescimento - o PAC da administração petista - contemplará substancialmente a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, a Embrapa, que deverá receber neste ano R$ 500 milhões para contratar mais técnicos e intensificar seus já relevantes trabalhos de pesquisa. Com a prudente reserva ante o entusiasmo do presidente Lula de converter a Embrapa na ''Petrobras do agronegócio'', é visível a perspectiva de uma mudança histórica na tradicional instituição.
Mais do que investir em pessoal e na pesquisa, o plano - que será lançado dia 26 de abril, data do 35º aniversário da empresa - é criar condições de a Embrapa montar negócios no Brasil e em outros países, o que nas atuais condições é considerado impossível. Detentora de tecnologias únicas para a agricultura tropical no hemisfério sul, acredita-se com o salto de qualidade anunciado será possível negociar parcerias e vender conhecimentos. Hoje esse centro de pesquisa tem 10.200 funcionários e desenvolve de 50 a 60 novas variedades anuais de plantas, e pelo projeto serão contratados mais 1.600 profissionais, com a correspondente intensificação das pesquisas. Um destaque importante será para a bioenergia, e esta deve ter sido a razão principal para o Governo Lula anunciar agora uma maior atenção à Embrapa - o que poderia ter sido feito bem antes também com relação aos demais trabalhos da instituição.
De qualquer modo, os pesquisadores já haviam criado uma divisão para a pesquisa de oleaginosas destinadas à produção do biodiesel, e importa louvar a importante decisão de contemplar a Embrapa de forma mais substancial. Certamente que a medida despertará também os governos estaduais para outras instituições do gênero, como os institutos agronômicos, entre os quais o do Paraná, com sede em Londrina e tem assistido ao longo dos anos à debandada de muitos de seus destacados pesquisadores, por desestímulo salarial.
No estilo do presidente Lula, o pacote tem também um front humanitário - conforme o dizer do presidente da Embrapa, Silvio Crestana - e visa, paralelamente, a reconstrução de países pobres no setor da agricultura. Terça-feira, ao assumir a chefia da Embrapa/Soja de Londrina, o pesquisador Alexandre Cattelan referiu-se, como meta do núcleo sob seu comando, à redução do impacto ambiental por via das boas práticas agrícolas e a diminuição dos insumos químicos. Bons sinais.

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